24.12.10

Por esta altura do ano, a sociedade impinge-nos o "espírito" consumista e nós aceitamos com agrado. É só comprar e comprar. Esquecemo-nos de olhar para cada pessoa e agradecer o facto de a termos connosco. Esquecemo-nos do simples que é sentir a paz. Aproveito estas horas antes da confusão para mostrar a intenção de amar da forma mais pura que puder. E agradecer, muito. Desejo a todos um Natal cheio de amor.

15.12.10

encontrei-o há tanto tanto tempo, e ainda me identifico com ele

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
Não é meu, também não é de Vinicius de Moraes. É de alguém não identificado.

13.12.10

Sabes, gosto que as pessoas digam tudo o que querem dizer. Sem preconceitos, sem medo de represálias. Até gosto que digam asneiras. Gosto quando são ditas tão espontaneamente que não têm mal. Eu não levo a mal. Gosto quando aquele rapaz do sotaque, e agora podem ser aqui postos em causa dois, diz "lebo" em vez de "levo". E gosto quando ele diz "é muito berdade isso". Ele é tão espontâneo, e tão boa pessoa. Ás vezes sinto falta de boas pessoas. Olha, ultimamente conheci duas. Curiosamente as duas do sotaque. E olha que não podiam ser mais diferentes. Não conheço bem nem uma nem outra, mas sabes quando estás com pessoas e por muito pouco tempo que estejas sabes inequivocamente que têm bondade dentro delas? Príncipios? Estas pessoas são assim. E eu gosto.
Também gostava de ter conhecido melhor o outro. O que me levou a escrever isto, agora. Mas esse chegou e foi. Não ficou tempo nenhum. Acho que não gosta muito de se dar a conhecer. Não é espontâneo. E disso eu não gosto. Até aceito desafios. Mas jogos psicológicos e mentais não são o meu forte. Não gosto!
Asneiras sim, jogos não. Olha, antes que me mandasse à merda.

8.12.10

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando duzentos quilos de grilos e medos, ponha a saia mais leve, aquela de chita e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesmo e descubra o próprio jardim. Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenções de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteria. Se você não tem namorado é porque ainda não enlouqueceu aquele pouquinho necessário a fazer a vida, para de repente parecer que faz sentido. ENLOU-CRESÇA.

Artur Trávola
Não sei porque não o faço. Acho sempre, claramente, que as coisas têm de ser ditas, demonstradas, relembradas, e agora, olho para ele com imensa vontade de falar e não o faço. Não sei. Parece que me sinto inoportuna. Mas não o devia sentir. Não o sou. Sou só transparente. Sou genuína? Decidi que vou falar. Agora.