24.4.14

Não tenho andado com o caderno e isso faz com que não possa escrever lá, agora, neste preciso momento, o que me passa pela cabeça.
Estou confusa.
O meu dia de trabalho começou com uma situação fora do comum. Uma senhora que tinha exame ontem e foi-se embora sem o fazer,, voltou hoje. Estava à minha espera.
Entrou quando a chamei, parecia-me sorridente e alegre.
Enquanto fazia o exame começou a chorar e contou-me que o neto de 16 anos tinha morrido. Asfixiado. Sozinho.
Conversamos muito, deixei a senhora falar e desabafar. Chorar, incentivei-a a chorar. Dei-lhe um papel e disse: "Chore tudo e limpe as lágrimas. Não as deixe secar na sua cara nem no seu corpo." (A pensar em ti Luísa).
Disse-me que está à espera que o neto lhe apareça num sonho. Que fale com ela. Quer tanto falar com ele.
Contei-lhe da minha avó. Do sonho em que ela falou comigo e da sensação de paz e alegria com que acordei de manhã.

A confusão vem: porque morre um rapaz de 16 anos?
Porque sofre esta avó? Porque sofrem tanto estes pais?

Há vidas curtas, bem sei. Que se propõem a ser curtas. Há vidas infelizes. Também sei.
A senhora dizia-me: "Nunca pensei que algo assim me acontecesse."
E eu sinto medo. Tenho 24 anos. Sou feliz. Sou cada vez mais feliz. Mesmo. E se chego aos 60 e algo horrível me acontece?

Sinto vontade de me afastar disto. Não penso. Confio. Acredito que sou feliz e que vou ser sempre. Cada vez mais esclarecida, mais consciente, mais plena e mais serena.

Mas às vezes o medo espreita e alicia-me. Não fico com ele. Não o acolho.
Mas não deixo de perguntar.

16.4.14

Mentalização

Percebes que a mentalização dá resultados quando vais à máquina do café buscar um cappuccino que custa 50 cent e no final trazes não só o cappuccino como 72 cent. ahah

15.4.14

Principes da minha vida

Principe Salvador:
Quero dizer-te que tenho tanto orgulho em ti. Orgulha-me ver a forma como cresces, como te comportas. A tua forma doce de ser. O teu abraço é dos melhores abraços que posso sentir. (E de sentir todo este amor neste preciso momento, choro de emoção, de gratidão).
Nesta nova fase em que recebes o teu mano, orgulho-me de ti quando o abraças, quando lhe dás festinhas com o teu dedinho delicado, quando lhe dizes quando chora "Já passou, já passou". Quando lhe mostras o teu novo tubarão e finges que o tubarão o está a morder e reforças "é só a brincar tia".
Orgulho-me de ti quando dás pulinhos de contente quando recebes uma prenda. És lindo lindo e eu amo-te tanto!
 
Principezinho Bernardo:
És o meu amor mais pequenino, mais novo. Chegaste há 15 dias. Durante a gravidez da mamã esperei por ti, queria conhecer-te. Não te imaginei. Quando foi do mano, até tive medo de não saber ser tia, imagina. Contigo não senti medo nenhum. Queria ver-te, queria sentir-te e abraçar-te. Orgulho-me que a mamã ande contigo no pano. Orgulho-me por te ver aconchegado naquele colo que é tão teu. Adoro o teu cheiro, as tuas bochechinhas, as tuas expressões. Mexes muito o nariz e a boca. Fazes biquinho, sopras quando estás a adormecer (pareces o mano, ele ainda hoje faz isso). És tão pequenino e tão amado. Ontem estive num abraço pegado contigo. Coração com coração. Tantos beijinhos que te dei. Digam o que disserem, sei que nesta fase tudo o que precisas é de colo. De abraços repletos de amor e calor. Acho tanta graça à tua sensibilidade ao frio. Não podes sentir um dedo meu que seja na tua pele que choras. Adoro isso. Não que chores, mas que sejas tão sensível e determinado. Espero que não percas isso. Durante toda a tua vida, mostra sempre do que não gostas. Não deixes que te façam mal.
Estou aqui meu amor, para te ajudar a crescer feliz. Como ajudei e ajudo o mano.
 
Obrigada por existirem para mim. Tão perto :) 

Bless :)

Sinto-me tão abençoada.
Gosto de mim como nunca gostei antes. Gosto tanto tanto da pessoa em que me tornei. Em que me torno a cada dia. Dou tudo de mim! Dou o melhor de mim. E quando na minha essência dou conta do menos bom que sou, estou atenta. Nem sempre consigo reformular no momento. Quando ele me diz que não estou a fazer aquilo em que acredito, eu sei perfeitamente que não estou. E isso para mim é uma descoberta, este sentimento de reconhecimento. De consciência. Eu sei que estou a fazer mal, mas por agora não consigo ainda fazer diferente. Reconheço, aceito e deixo fluir. Quando passar passou. E dura cada vez menos tempo.
E quando eu dou o melhor de mim estou atenta também. Tomo atenção ao sorriso que desenho no rosto, de forma tão genuína e tão simples. Dou atenção aos passos que dou, ao contacto dos pés com o solo. Às vezes quando ando muito rápido converso comigo e abrando "Porque vais tão rápido? Que pressa é esta? Relaxa. Sente o peso do teu corpo no chão. Agora continua, devagar."
Estou atenta quando a empatia chega. Quando olho para aquela pessoa e sinto que cuido dela. Que posso ajudar a tranquilizar, a aconselhar, a sugerir, a ouvir.

Gosto muito de mim quando ouço o senhor António dizer que perdeu a companheira de vida de 60 anos, que podia haver igual mas melhor não com certeza. Gosto do que sinto. Da imensa vontade que sinto em abraçar o Gonçalo imediatamente e de lhe dizer "Livra-te de me deixares quando formos velhinhos!" Do arrepio que sinto de uma ponta do meu corpo até à outra com esta imagem de perda do amor da vida. Gosto quando lhe respondo "Isso é tão bonito Senhor António."

Gosto de mim quando atendo o telefone a rir. Quando dou um beijinho na testa da Marta porque vejo que não está feliz. Quando digo à Inês que ouvir vozes pode não ser doença mental, para ela procurar alternativas se assim entender antes que o medo se instale e que os médicos a tratem como louca.
Gosto mesmo cada vez mais de mim. Dia após dia. Com afirmações positivas, com yoga e meditação, com alimentação cada vez mais consciente e saudável, com optimismo e alegria por viver. Cada vez mais perto da minha essência de cuidadora, de mãe. Que feliz, que feliz que sou!