16.1.14

No meio da aventura

"Estou radiante por estar no mio desta aventura, pois sei que nunca mais voltarei a passar de novo por esta experiência particular." Louise L. Hay
 
Ao ler esta frase senti imediatamente uma chamada de atenção. Um click na consciência, uma vez mais. É a única vez na minha vida que estou a deixar a casa dos meus pais para viver sozinha. Esta aventura que é deixar o ninho dos pais, o lugar que para mim sempre foi seguro, onde as responsabilidades eram pouco pesadas, onde a cama dos pais estava sempre aberta para quando quisesse enfiar-me, onde as cóceguinhas nas costas eram oferecidas com amor e paciência, onde havia sempre ingredientes para os meus poucos bolos feitos, onde a internet era paga sem eu dar conta, onde o gás é natural e não precisamos de contar o tempo em que o fogão está acesso, onde os panos e as toalhas apareciam secos e bem cheirosos, onde a sopa sempre teve o sal na conta certa, onde o peixe sempre existiu para equilibrar a nossa nutrição. Este lugar que sempre foi a minha casa, agora passa a ser a casa dos meus pais. E esta transformação é única. É a única vez que dou conta que deixo de fazer "as minhas coisas" para ir fazer a nossa sopa, que ligar o fogão custa dinheiro, que quando chego a casa se ele não estiver lá eu fico sozinha, que para falar com a minha mãe tenho de lhe ligar, não vale a pena ficar à espera que ela volte a casa logo à noite, que quando o lixo se acumula se eu não o levar para a rua vai ficar a cheirar mal na cozinha, que os panos demoram mais do que 2 horas a secar, que se não estender a toalha do banho ela está encharcada na manhã seguinte, que é preciso pensar nas refeições que vamos fazer porque se não corremos o risco de nos alimentarmos mal.
 
É a primeira vez que tenho contacto com tudo isto e nem sempre aproveito e vivo da melhor forma, da forma mais grata. E de hoje em diante, quando me sentir refilar por dentro, vou lembrar-me que é a única vez que vivo esta aventura, e sei que vou sorrir e sentir tanto amor e gratidão por esta nova fase.
 

14.1.14

Para não esquecer, ainda que o passado seja isso mesmo

Ontem o Salvador fez análises pela primeira vez. Perguntei-lhe como tinha sido. Respondeu-me "Portei-me muito bem. Não chorei, nem doeu." Ao tirar o penso, mal toquei no adesivo começou com lágrimas nos olhos. Disse-lhe "Meu amor, doi um bocadinho porque puxa os pêlos, mas fazemos rápido." A minha mãe disse-lhe "Então não choraste há bocado com a pica..." Ao que ele responde "Mas agora dói!" E chorou muito, num abraço partilhado entre nós.
 
Depois perguntei-lhe se queria vir passear comigo durante a tarde. Quis e ao sair de casa disse adeus à mãe e aos avós e disse: "Adeeeeeus, volto mais logo."
 
À pergunta "Como achas que vai ser o mano?" "Vai ser como eu. Com os cabelos claros e os olhos azuis."
 
"Como te sentes em relação ao mano?" "Sinto-me bem." "Não tens medo?" "Não. Eu vou ensinar-lhe muitas coisas e brincar muito com ele."
 
Antes do banho não lhe podia tocar nem com as mãos, nem punhos nem antebraços. A temperatura não o permitia. Quis segurar sozinho no duche. Apontava para a pilinha, ria-se e dizia: "faz cócegas!". A descoberta da sexualidade é uma coisa mesmo bonita. Enrolei-o todo quando saiu do banho, e em posição fetal ao meu colo segurava-o com a mão direita no rabinho e a mão esquerda nos pés. Disse-me "Tira as mãos tia." Pensei que ainda sentisse o frio das minhas mãos através do turco. Esclareceu-me "Tinhas a mão ali ao fundo e eu não gosto."
 
Aos 3 anos e pouco mais de meio, o Salvador está crescido. Tem alguma dificuldade em integrar conteúdos, responde de forma simples - bem, mal, sim e não. Mas tem argumentos muito engraçados.
É uma presença que me enche o peito e me ajuda a sentir tanto tanto amor. É uma óptima companhia, compreende os limites, as regras e as excepções. Sabe estar, é autêntico.
 
E eu sou tão grata por poder acompanhar todo este crescimento.

10.1.14

"Para quê?"

A primeira pergunta que fiz em voz alta esta manhã.
"Para quê levantar-me às 07h20m e deixar-te aqui?" Nem meio segundo depois a resposta mental: "Para ser possível ires amanhã para Évora para o teu merecido fim-de-semana de Doulas."
É assim que a vida acontece. Minuto após minuto. Sempre consciente do meu valor, sempre com consideração e respeito por mim, sempre a fazer melhor pelo meu mundo e pelo mundo de quem me rodeia.
 
Esta semana li esta frase da Madre Teresa de Calcutá:
"Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz."
 
Ontem cheguei a casa determinada a fazer um bolo cuja receita encontrei de manhã. Às 18h estava o bolo no forno e as 18h40 estavamos 7, sentados à volta da nossa mesa a apreciar aquela fatia de bolo de côco, framboesas e chocolate acompanhado com chá de Roiboos e laranja.
 
Gosto de fazer aos dias de semana o que normalmente se faz aos fins-de-semana. Não gosto de esperar pelo Sábado ou Domingo para reunir a família, para fazer um bolo ou para ir caminhar ao final do dia. Gosto de fazer valer todos os momentos e transformar cada um em partilha, em amor e repleto de sorrisos carinhosos.
 
Ontem ainda voltei à costura, a máquina está perra de tanto tempo que esteve parada. O coelhinho quente parao  Bernardo está quase pronto, os miminhos que vou fazer para o Sebastião já estão prestes a sair da gaveta, o projecto "Sintra em cada manhã" já conta com mais de 5 fotografias.
A mala para o fim-de-semana é preparada hoje com a roupa mais confortável e simples que tiver. Anseio por aquela calma e estou desejosa de me sentar no chão com a chávena de chá ao lado. Abraçar-vos vai ser mesmo bom.

7.1.14

X coisas antes de morrer

Costumo ser pouco ambiciosa no que toca ao "fazer antes de morrer". Não tenho listas intermináveis de sítios a conhecer antes de morrer, não sou louca por experiências e não as guardo como últimas oportunidades.
Hoje acordei a pensar num filme de 2 minutos que vi ontem. Este para ser específica:
 



Sempre adorei primatas. Tenho um fascínio por macacos, não sei bem porquê. Sempre senti imensa vontade de os ter no colo como esta senhora. De os abraçar. De lhes dar biberão se necessário fosse. Nunca me aproximei disto. Não fui para Biologia, nem para Veterinária. Nem acho que tenha de ir nem que devesse. Mas hoje dei por mim a pensar que não gostava nada de morrer sem experimentar este amor.

6.1.14

Dia 01/01/2014:
> Um lanche tardio com scones feitos por mim.
> Um colo maravilhoso que dei ao Afonsinho. Encostar a minha bochecha à testa dele. Senti-lo quentinho naquele abraço que é nosso.
 
Dia 02/01/2014:
> Lx factory - conversa agradável num café muito agradável - "toma lá que já levaste" e ainda me sentei no baloiço à janela.
> Rumo à baixa lisboeta e a vontade de comer um crepe. Royalle, um pátio maravilhoso, um crepe delicioso e pequeno, a melhor companhia da minha vida.
> Saldos e confusões, demasiado barulho, demasiado pó, demasiada gente. Umas calças alegres, suaves e confortáveis.
> Um noori de salmão flamejado com queijo creme, os meus olhos a fecharem só para melhor degustar. Adoro sushi e bendito o dia em que o G. me deu a conhecer esta maravilha gastronómica.
> Compras para a nossa casa, pela segunda vez. Ir ao supermercado nunca mais vai ser a mesma coisa.
 
Dia 03/01/2014:
> Trabalho, trabalho.
> Jantar de amigos e ouvir falar de arquitectura.
> Ter a liberdade de me deitar no sofá e dormir enquanto a conversa se desenrolava em torno da nossa mesa.
 
Dia 04/01/2014:
> Acordar com chuva. Meditar na cama enquanto admirava a força inabalável da natureza, ao som do vento.
> Aproveitar a casa em silêncio.
> Lanchar com a mãe, mana, Salvador e Bernardo. Ver o sorriso do meu príncipe e sentir as saudades, minhas e dele. Não o querer largar. Meu amor maior.
> Filmar a Shisuka e decidir que iria fazer-lhe um blog. Partilhar os melhores momentos, dar-lhe voz, exteriorizar os pensamentos que tenho que ela terá em relação a nós. "Onde está a Amélia?"
 
Dia 05/01/2014:
> Comprar pão na padaria da aldeia pela primeira vez. Levar pão centeio e de milho para a nossa casa.
> Pequeno almoço tranquilo e cheio de felicidade.
> Começar a ler o livro do Chakall à mesa e levá-lo para o sofá. Ser transportada através daquelas palavras e daquelas imagens.
> Apanhar areia na praia para encher os nossos chouriços.
> Fazer panquecas para a sobremesa de amigos. Ficarmos horas à mesa a conversar. Continuar as conversas sérias no sofá. Sentir tanto amor que temos uns pelos outros e ver-nos crescer, juntos.
> Jantar com o G. em casa da minha mãe. Sentir o que é ir a casa dos pais jantar e voltar para a nossa casa.
 
Que eu faça de todos os dias, dias cheios de histórias para contar. Plenos de consciência, de alegria e de amor.

A conversa do final de ano e a determinação a falar mais alto - felizmente

Mais uma vez, trouxe até mim uma situação que me testou. Uma situação em que senti vontade de sair e fui ficando. Em que deixei o outro verbalizar por saber que é importante ainda que não quisesse mais ouvir.
 
No final, saí da conversa com o vestido cheio de vinho, confusa e exausta.
 
Novamente me vejo a escolher. Não quero isto na minha vida. Tentei ajudar, percebi que não consigo e decidi que não vale a pena.
 
Mantive-me bem porque lutei por este equilíbrio. Se houvesse ponta de instabilidade naquele momento, ele tinha-me atirado ao chão só com a força do embate. E não vou deixar que pessoas assim me rodeiem.

Dois mil e quatorze

Enquanto eles dançavam, sentei-me à mesa a escrevi os meus objectivos para este novo ano.
Não acredito na mudança do novo ano como mudança inerente, mas gosto de usar o final do ano para pensar em tudo o que fiz acontecer, olhar-me no início e no fim, ver as diferenças, orgulhar-me do crescimento e estabelecer novos objectivos ou reforçar os existentes.

Em 2014 quero:

>  criar a minha família com o Gonçalo
> melhorar a minha relação com os meus pais e manas - ser mais paciente e aceitá-los, mesmo.
> ser doula :)
> ser anfitriã na casa nova - estar mais com os amigos do coração
> fazer jardinagem
> ter hábitos de vida mais saudáveis, conhecer mais sobre a minha alimentação e sobre tratamentos naturais
> estar muito presente no primeiro ano de vida do baby Bernardo
> acompanhar o Salvador, como sempre.
> ouvir mais música
> chatear-me menos, preocupar-me menos, confiar mais,  sorrir mais
> fazer yoga de forma disciplinada, conseguir a invertida sobre a cabeça e a espargata.

E se tudo isto assim for, no final de 2014 serei ainda mais feliz!!