"Estou radiante por estar no mio desta aventura, pois sei que nunca mais voltarei a passar de novo por esta experiência particular." Louise L. Hay
Ao ler esta frase senti imediatamente uma chamada de atenção. Um click na consciência, uma vez mais. É a única vez na minha vida que estou a deixar a casa dos meus pais para viver sozinha. Esta aventura que é deixar o ninho dos pais, o lugar que para mim sempre foi seguro, onde as responsabilidades eram pouco pesadas, onde a cama dos pais estava sempre aberta para quando quisesse enfiar-me, onde as cóceguinhas nas costas eram oferecidas com amor e paciência, onde havia sempre ingredientes para os meus poucos bolos feitos, onde a internet era paga sem eu dar conta, onde o gás é natural e não precisamos de contar o tempo em que o fogão está acesso, onde os panos e as toalhas apareciam secos e bem cheirosos, onde a sopa sempre teve o sal na conta certa, onde o peixe sempre existiu para equilibrar a nossa nutrição. Este lugar que sempre foi a minha casa, agora passa a ser a casa dos meus pais. E esta transformação é única. É a única vez que dou conta que deixo de fazer "as minhas coisas" para ir fazer a nossa sopa, que ligar o fogão custa dinheiro, que quando chego a casa se ele não estiver lá eu fico sozinha, que para falar com a minha mãe tenho de lhe ligar, não vale a pena ficar à espera que ela volte a casa logo à noite, que quando o lixo se acumula se eu não o levar para a rua vai ficar a cheirar mal na cozinha, que os panos demoram mais do que 2 horas a secar, que se não estender a toalha do banho ela está encharcada na manhã seguinte, que é preciso pensar nas refeições que vamos fazer porque se não corremos o risco de nos alimentarmos mal.
É a primeira vez que tenho contacto com tudo isto e nem sempre aproveito e vivo da melhor forma, da forma mais grata. E de hoje em diante, quando me sentir refilar por dentro, vou lembrar-me que é a única vez que vivo esta aventura, e sei que vou sorrir e sentir tanto amor e gratidão por esta nova fase.