20.10.14

...

O dia começa lento em mim. Preguiçoso e desmotivado.
Não me apetece sair da cama. Para quê? "Vá, a vida vale a pena. Vamos"
Levanto-me e visto-me apressada. Preparo o pequeno almoço do costume, agradeço ter alimento antes de o sentir na boca. Saboreio a torrada com o doce de abóbora e inspiro-me com imagens e fotografias. "Que momentos maravilhosos estes. E o meu dia? Igual aos outros dias da semana..."
Saio apressada porque o relógio andou mais depressa do que eu. Guio o carro e penso "Para quê? Vais viver o dia a querer que acabe? Vais trabalhar a querer que acabe? Não é suposto. Tu mereces acordar de manhã com vontade de acordar. O que andas a fazer? "
Penso no móvel que vou repintar, penso na rena que vou costurar e na boneca que tenho encomendada. Não costurei nada no fim de semana. Mas o fim de semana teve vários momentos que não quis que acabassem. Valeu! Mas e agora?
Não acredito no projecto que criamos. Parece que remamos e remamos e nada. Sinto-me triste. Acalmo a mente e digo para mim própria "segue o fluxo. não penses tanto. calma"
Lembro-me dos dias em Évora que começavam da mesma forma e que podia ser Segunda ou Sábado que cada acordar valia a pena. Ver a querida P. na cama de jardim a cantar pela manhã. E eu? Porque não "consigo" levantar-me e cantar? O que ando aqui a fazer? 
Sinto-me triste e pesada. Estes dias não são para mim, bem sei. Que passos dar para tornar os meus dias o melhor de mim? O melhor para mim?

Respira, respira e respira. Está tudo bem e tudo certo. Não tenhas pressa da vida. Aprende a ser e não a fazer.
Eu sou.
EU SOU.

8.10.14

Para não esquecer - Bernardo 6 meses

Bernardo, tens agora 6 meses.

Os teus olhos azuis e as tuas pestanas prendem-me o olhar. "Esforço-me" para te arrancar um sorriso ou dois ou três. Para ouvir uma gargalhada tua, que nunca ouvi.
Não dás sorrisos fáceis. És observador. Posso fazer as caretas que quiser, contorcer-me e rebolar-me que tu não achas piada. E provavelmente tens razão!
Até agora descobri duas maneiras de te fazer rir. Uma é inspirar como se sugasse uma palhinha. Depois sopro para a tua carinha e pestanejas, contente. A outra é "dar-te beijinhos no ar" e ir aproximando a minha cara da tua barriga até te dar beijinhos na barriga ou no pescoço.
Estás na fase de pôr as mãos na boca e às vezes engasgas-te quando pões os dedos todos.
A tua adaptação à sopa e fruta não foram fáceis porque tu adoras as maminhas e o leitinho da mãe.
(O que eu acho um máximo e dou-te o maior apoio :p)
Gostas de adormecer sozinho, deitado na cama ou no chão. Preferes do que ao colo, ao contrário do mano.
Resmungas e eu aprovo mais uma vez. Adoro que assim sejas.

Meu querido sobrinho bebé!

Para não esquecer e para um dia te ler :)

Salvador, tens 4 anos agora. 
Já foste operado à garganta, depois de tentarmos reverter a situação das amígdalas com ajuda homeopática. Foste corajoso e tranquilo. És um exemplo para mim e um orgulho enorme.
Devido à cirurgia começaste a escola mais tarde do que os outros meninos. Mudaste de escola, do Colégio Lusitano para a Misericórdia e a tua adaptação está a ser calma.
Nos primeiros dias entraste na escola triste. Dizias ao avô que aquela escola era muito grande e muito confusa para ti.
No teu segundo dia de escola fiz-te uma surpresa e fui com o Gonçalo buscar-te. Passeamos pelo parque de Sintra e fomos lanchar à Piriquita. Estavas feliz feliz!! Todo tu sorrias! Pulavas. Davas a mão a um e a outro. E às vezes aos dois ao mesmo tempo. Que feliz tu és meu amor! :')

Ontem fizeste a tua primeira visita de estudo. Foram à Quinta Pedagógica. Como tens dito sempre que não sabes o nome dos teus amigos, conversei contigo ontem para ver se íamos mais fundo nos "detalhes". Perguntei-te com quem tinhas ido e vindo no autocarro. Se os lugares são 2 a 2 tinhas de ter vindo com alguém e com alguma proximidade. Na viagem para lá disseste que não sabias o nome do menino e na viagem para cá tinhas vindo com a Mafalda.
"E como é a Mafalda?" perguntei-te eu.
"É simpática"
"Hmm. E mais? Não há nada mais que a diferencie das outras meninas e meninos?"
"É menina. E tem 5 anos e vai fazer 6. Eu sou mais novo do que ela. Mas ela tem os pés mais pequenos do que os meus. E é mais pequena do que eu. Mas ela já tem 5 anos e eu só tenho 4."

E eu fico contente de te ouvir falar. De te ver crescer. De ver a tua adaptação às dificuldades que vão aparecendo e que são enormes quando se tem 4 anos de idade.

No outro dia dizias "Eu hoje fiz umas birrinhas porque não queria vir, mas é normal! Porque eu não conheço ninguém. É normal não é tia?"
"Claro! E se estiveres triste tens todo o direito. E se quiseres chorar choras! É completamente normal!"
"Tu também não conhecias ninguém quando foste para a escola?"
"Não. E sabes uma coisa? O Gonçalo vai começar a trabalhar num sítio novo e ele também não conhece ninguém." E explicar-te subtilmente que durante toda a vida há mudanças e há adaptações. E que a tua situação neste momento é a mesma que da mãe ou do Gonçalo porque estão num lugar onde não conhecem ninguém também.

Salvador, és uma criança maravilhosa! Um sobrinho tão desejado e tão amado. E eu quero tanto agradecer-te porque me fazeres ser tão melhor ao pé de ti, contigo, por ti.

12.9.14

Uh la la

Já não escrevo há tanto tempo! A escrita para mim é mesmo uma grande ajuda para aliviar tensões e confusões da mente. Quando ando tranquila e contente, a vontade de escrever não aparece tanto.
Mas hoje, com tantos blogs que já vi e tantas palavras tão sentidas, fiquei com vontade de escrever também. Afinal estou num processo de mudança em que vale sempre a pena reflectir e agradecer! :)

Dia 12 é sempre um dia especial. Há três anos e sete meses que te encontrei. Que te reencontrei. Que me reconheci. Foste tu o meu primeiro espelho de mim. Foi através de ti que conheci a minha beleza, a minha doçura. Foi contigo que senti o primeiro reencontro de almas. Minha alma gémea!

Hoje partilhamos a casa, o quarto, a cama. As refeições. Feitas com carinho e expansão sabendo que nos estamos a alimentar um ao outro. Partilhamos as gatas, querida Shi e querida Moo. Partilhamos o despertador e aproveitas que eu ligue o esquentador para ficares mais 2 minutos na ronha.
Partilhamos jantares de família e a nossa casa recebe os nossos amigos. Partilhamos emoções, alegrias e tristezas. Frustrações e depressões. Não é fácil esta parte. Quando sei que me sinto bem e feliz e sei que te sentes mal e triste. É preciso saber distinguir nestes casos a tua tristeza da minha alegria. Não me deixo contagiar e tento ajudar-te a sentires-te melhor. Respeito o teu processo como sei que respeitas o meu. Quando me pedes desculpa pelo que passou, digo-te que um dia será ao contrário. A nossa vida, a que queremos juntos até velhinhos, vai passar por altos e baixos. Vai haver alturas em que o teu abraço será o meu mais profundo desejo.

Mudei tanto neste ano que vivi. Em Setembro passado andava a arranjar a casa para a nossa mudança. Amuada e frustrada pelo tempo que demorava. Nunca mais estava pronta, nunca mais era o dia, nunca mais podíamos viver a nossa relação de forma plena, no nosso cantinho. Um ano passado e a transformação é TÃO grande! Estou crescida. Estou lentamente a passar de menina a mulher. Quero manter a meninice, o encantamento, a simplicidade. Mas a mulher está a nascer em mim. Esta afirmação.
Tenho dito nos últimos dias "Já podemos ser pais!" e tu "assustas-te" ahah

A mudança que aí vem, na tua vida e no teu processo, traz muita serenidade à nossa vida. Finalmente vais sentir-te motivado, emocionalmente estável. Contente e com toda a energia a fluir. Sinto daqui :)
Trabalhar ao pé de casa. Puderes ir a pé. Trabalhar em frente ao mar. Estar em casa a tempo do jantar e poder jantar antes das 21h!

Dentro de 8 dias vamos fazer a nossa viagem. A maior que já fiz! 12 dias fora do país, viajar por 3 países. Comboio de um lado para o outro. Fazer a viagem que tanto queres, há tanto tempo.
Esta viagem é uma surpresa para mim. Quando começamos a falar dela, não pensava que era impossível, mas sabia que seria difícil. É muito dinheiro. Como podia juntar mais de 600€ para a viagem, quando me é tão difícil poupar por mês? Bem, confiei mesmo. Começamos a falar do assunto, a ver datas, a ver voos, a ver dormidas, estamos nesta fase a decidir o mapa e a verdade é que o mealheiro para a viagem existe!

O Vermelho Morango foi uma grande ajuda. Tem sido! Uma descoberta também. Um fluir de energia mais uma vez, de criatividade, de amor, de feedback. Que bom que bom!!!
Sei-me auto-suficiente. Conheço-me e sei que sou capaz de traçar o meu caminho. Não há nada melhor do que saber que os projectos que existem são meus. Fazem parte de mim.
Agora nasceu também o Uaumamã. Espero mesmo ajudar várias mulheres, esclarecer, desmistificar! Sim sim simmmmmmmm. Que contente estou, sou!

Próximo objectivo? Curso de yoga. Esse parece-me tão difícil agora. Mas chegará!! :) A seu tempo. Já no próximo mês?? ahah!

19.6.14

O meu plano de vida apareceu agora mesmo, à minha frente

"Saber sobre dosha como tipos de constitituiçao corporal mais predominante de cada um
indicar alimentos e praticas que equilibram energias
saber yoga como pratica de equilibrio e fusao de mente, corpo e espirito
e divindade de cada ser
saber sobre psicoterapiae e massagem biodinamica
como ferramenta para reconhecer emoçoes
lidar com elas
saber sobre concepçao, gravidez e parto
ser guardiã desse processo
sabendo que vem um novo ser habitar a terra, experienciar a vida humana
empoderar a familia para o receber, para o amar
ser guardia dos primeiros tempos. saber a importancia que a primeira infancia tem em toda a vida do ser humano
:D
é isto
é MESMO isto"
 
acabei de sentir isto e escrever isto. Falta só dizer.

26.5.14

Nasci ontem.

Ontem nasci.
Experimentei o nascimento dinâmico e nasci de verdade.
Estive dentro do útero, senti as minhas sensações de há 24anos atrás, iniciei trabalho de parto contra minha vontade e nasci.
Foi aterrorizador. Achei que não conseguia mesmo. Quis voltar para trás. Fiquei sem ar. Tive o mais perto da morte que alguma vez senti. Entrei em pânico, gritei que não era capaz. Quis que desistissem para que eu pudesse desistir. Eles não o fizeram e eu tive de aceitar que sou capaz. Conectar-me com esta força que tenho de impulsão, de fazer, de confiar que está tudo bem.

Eu não conhecia esta força até ontem porque nasci de Cesariana. Porque me tiraram do útero da minha mãe sem que eu desse ordem. Sem que eu me sentisse com vontade de sair. Não deixaram que fossem as minhas pernas a dar o impulso. Não me deixaram sentir capaz de nascer.

Quando vejo grávidas com cesariana electiva marcada, arrepio-me. Porque não sabem o que estão a fazer ao seu bebe. Para além de não saberem o que estão a fazer a elas próprias, mas principalmente ao bebé. Estão a privá-lo de se sentir capaz. E esse medo acompanhá-lo-à pelo resto da vida.

Fico triste quando vejo isto. E esta sensação é nova. Nasceu comigo, ontem.

23.5.14

Pliiiiim

Uma história que foi real. Para não me esquecer de estar atenta aos pormenores. E porque senti que sei ajudar. Mesmo a pessoa mais céptica.

31 anos. Porque vem fazer o exame? Tenho imensas alergias. Estou sempre a tossir,a expirrar, fico com imensa falta de ar. E não posso tomar antibiótico mês sim, mês sim. Tenho de descobrir o que se passa.

E está assim há quanto tempo?

Não sei. Há muito. Mas agora, de há 2 meses para cá estou melhor.

(Hmmm, que causa emocional estará por trás disto?)

Agora mudei de posto de trabalho. (AAAHHHH!!) E como é um sítio mais arejado, circula mais o ar, estou melhor. Acho que é por isso.

Hm....curioso. E a sua profissão é stressante?

Claro!! Agora já não tanto, como mudei de funções... (AHHHHH!!!)

E nunca pensou que por trás desses sintomas, esteja qualquer coisa emocional?

Desculpe? Como assim?

É que uma das formas que o nosso corpo tem de tentar eliminar toxinas, ou stress, ou ansiedade, é através dos pulmões. De expirrar. De tossir. Não lhe faz sentido?

Hm..não sei.... Eu há uns tempos fiz medicação para a depressão (AHHHHHH!!) mas não me fez nada e parei.

Pois, sabe que fazer medicação para os sintomas mas não resolver a causa não serve de muito...não é?

Hm... Mas resolvo a causa como? Eu detesto o meu trabalho! Eu cada vez que chegava lá só chorava...

E porque está lá?

Preciso de comer!

Mas há outros trabalhos...Já procurou?

Há 3 anos que procuro. Não vivo do ar, não é? (UI TANTAS LIMITAÇÕES)

Não tem nenhum hobbie? É possível ser-se autossustentável...

Desculpe???

(....)

Porque eu quero ser mãe. E não quero regredir na minha vida. Não quero voltar para casa dos meus pais. Aquela é a pessoa que me faz feliz.

Essa é a única coisa certa e que faz sentido na sua vida. Não é disso que tem de abdicar...

Pois.

Porque quero fazer um curso de cabeleiro. Porque é uma maneira de estar ligada às artes. Eu faço desenhos e pinto.

E onde estão os trabalhos?

Hm....

Acredita neles?

Não.

E como quer que alguém acredite?

Ah, mas como posso fazer um curso e depois os horários são diferentes e depois em vez de 200€ gastamos 400€ em deslocações. Impossível

E se se oferecer como ajudante de cabeleireira enquanto tira o curso de cabeleireira? Aqui na zona para não gastar tanto em deslocação?

Ah! Nunca tinha pensado nisso.

CONCLUSÃO: Se não fosse eu aqui agora, a rapariga tinha entrado e saído. Como segui a intuição de falar sobre causas emocionais para as doenças, ela saiu daqui a pensar em qualquer coisa. :)



22.5.14

Porque não me acho capaz? Porque não acredito em mim? Porque não me mostro? Porquê? Do que espero?
Vejo blogs bonitos, inspiradores, honestos. E não tomo esse passo porquê? Não é a altura ainda?
O que me falta?
Para onde vou? Quem sou? Porque?
Porque me embrulho em mim própria? Porque não avanço? Ou já estarei eu a avançar?
Está na hora de começar a partilhar tudo quanto me interessa. Há de certo quem se identifique e a quem a minha partilha faça sentido.
Ainda me sinto pesada. Mas aos poucos começo a definir.
 
Preciso do fim de semana que aí vem. Quero sentir-me sem limites. Que pesada me sinto agora.

16.5.14

Sentir, sentir, sentir

Começa a chegar a altura em que quero inspirar em vez de me deixar somente ser inspirada.
O que leio faz-me todo o sentido. Antes de chegar a casa, ouço a mente: "o que vais fazer? o que tens para fazer? Isto, aquilo, e o outro...qual primeiro? e dá tempo?" Shiiiiiu. Calma. Agora estou no caminho. Agora estou a contemplar esta serra. Agora estou a deixar o carro na oficina para que o cuidem de vez. Agora tenho que ir a pé para casa. Agora vou a pé e sinto o sol. Agora chego a casa e invento o que fazer na rua porque não me apetece deixar de sentir o sol. Agora vou regar. Agora olho para as folhas do feijão que têm marcas de dentadinhas de coelho. Agora rio-me. Agora molho os pés. Agora rego a ameixeira. Agora volto para cima e rego as flores da entrada. Agora entro em casa e cumprimento as gatas mais apaixonantes da vida. Agora mimo-as. Agora ponho alarme no telefone e conto meia hora para arrumar a cozinha. (Esta técnica é do melhor que há. Funciona mesmo. Saber que o tempo é contado e que quando o alarme tocar acabou-se as limpezas, ajuda-me e custa menos.)
Agora não faço nada do que a minha mente gritava. Agora aproximo as pequeninas e deixo-as conhecerem-se. Agora contemplo a brincadeira imensa em que se envolvem. Sento-me nos degraus da casa e fico a olhar. A observar. Somente isso. Observo. Rio-me muito, emano gratidão para estes seres que se adoram e mal se conhecem. Que ao contrário do que diziam, que a aproximação ia ser vagarosa, à experiência, que podia vir ciúmes, chatices, depressão, agressividade, bla bla, elas são um amor juntas.
Cada vez sou mais assim. Atenta ao que sinto. Não para racionalizar o que sinto, mas para ter consciência do sentimento. Para o sentir com toda a intensidade e depois deixar ir.
 
Cada vez sinto mais vontade de partilhar com outros a informação que me vai chegando, que vou procurando. Mostrar que é possível fazer diferente. Que para fazer diferente não precisamos de ser diferentes. Fazendo, somos por si só. Se eu digo sempre a verdade, eu sou honesta. Se eu rio muito, eu sou bem disposta. Se eu dou muitos beijinhos e abraços, eu sou afectuosa.
Um desvendar de verdades que sempre estiveram cá e que agora entro em sintonia com elas. Remembro-me como "ele diz".

14.5.14

A minha vida está a mudar.
Estou consciente, cada vez mais e mais. Estou atenta ao que sinto. Estou atenta às mensagens de Deus. Estou a reconhecê-lo. Preciso de silêncio e tenho-o. Interesso-me por alimentação saudável, consciente, por biorritmos e relógios biológicos. Interesso-me pela natureza, aprendo com ela. Deixo-me levar. Aprendo cada vez melhor a deixar fluir.
Leio livros verdadeiramente inspiradores que me tocam como nunca antes.
Estou em paz. Estou tão em paz.
Tenho planos, tantos. Arranjar o exterior da nossa casa mais querida. Pôr flores por todo o lado. Fazer bricolagem e criar um sofá através de paletes. Terminar os fofos, editar as fotografias e mostrar ao mundo uma das minhas paixões. Fazer uma base de dados de artigos e começar posts para um blog que não tarda chega aí. Sobre maternidade, ecologia, parentalidade positiva. Tudo o que sou. Cuidar de crianças. Ajudar mães e pais a serem mães e pais felizes. Ajudar a criar crianças felizes. É tudo o que sou. O melhor que sei ser. E os dias correm. E o tempo passa. E o calendário avança. E eu mudo a cada segundo. Estou em transformação. Que curiosa estou para olhar para mim no final deste ano. Não preciso de mais do que isso. Uma volta à minha vida. Já está a acontecer.

7.5.14

Já existes em nós.

Queriamos um novo gatinho. Um amigo e companheiro para a Shi. Andavamos atentos. No feriado passado disse-me a minha mãe que tinha chegado uma ninhada ao Veterinário. Ele disse que não estava a sentir e que não achava bem irmos de propósito à procura, que quando fosse para nós apareceria sem deixar dúvidas. Domingo chegou a primeira ninhada do ano à loja. Fui espreitá-los todos. Gostei de alguns, fiquei impressionada com a carência de todos e não trouxemos nenhum. Ele dizia "Quando ficamos com pena e queremos trazer todos é porque não estamos ligados com nenhum. Ainda não é desta."
Ontem ao final do dia soubemos que os nossos vizinhos tinham encontrado um gatinho bebé junto ao muro, o irmão já estava morto, tinha sido atropelado.
Pronto. Lá está. Não há dúvidas. Fomos vê-lo e apaixonamo-nos. É uma gatinha com mês e meio. Muito pequenina e muito debilitada. Descobrimos-lhe uma pequena ferida na barriga e fomos à Veterinária já eram 23h30.
Enquanto a Dra. te dava antibióticos e agrafadelas, choravas e aninhavas-te em mim. Pediste-nos protecção e nós estamos a cuidar de ti! Estás fraquinha e precisas de cuidados. Os miminhos vão chegar na conta mais do que certa assim que decidires agarrar-te à vida e vieres connosco para casa.
Aconteça o que acontecer, já existes. Até já bigodinha.

24.4.14

Não tenho andado com o caderno e isso faz com que não possa escrever lá, agora, neste preciso momento, o que me passa pela cabeça.
Estou confusa.
O meu dia de trabalho começou com uma situação fora do comum. Uma senhora que tinha exame ontem e foi-se embora sem o fazer,, voltou hoje. Estava à minha espera.
Entrou quando a chamei, parecia-me sorridente e alegre.
Enquanto fazia o exame começou a chorar e contou-me que o neto de 16 anos tinha morrido. Asfixiado. Sozinho.
Conversamos muito, deixei a senhora falar e desabafar. Chorar, incentivei-a a chorar. Dei-lhe um papel e disse: "Chore tudo e limpe as lágrimas. Não as deixe secar na sua cara nem no seu corpo." (A pensar em ti Luísa).
Disse-me que está à espera que o neto lhe apareça num sonho. Que fale com ela. Quer tanto falar com ele.
Contei-lhe da minha avó. Do sonho em que ela falou comigo e da sensação de paz e alegria com que acordei de manhã.

A confusão vem: porque morre um rapaz de 16 anos?
Porque sofre esta avó? Porque sofrem tanto estes pais?

Há vidas curtas, bem sei. Que se propõem a ser curtas. Há vidas infelizes. Também sei.
A senhora dizia-me: "Nunca pensei que algo assim me acontecesse."
E eu sinto medo. Tenho 24 anos. Sou feliz. Sou cada vez mais feliz. Mesmo. E se chego aos 60 e algo horrível me acontece?

Sinto vontade de me afastar disto. Não penso. Confio. Acredito que sou feliz e que vou ser sempre. Cada vez mais esclarecida, mais consciente, mais plena e mais serena.

Mas às vezes o medo espreita e alicia-me. Não fico com ele. Não o acolho.
Mas não deixo de perguntar.

16.4.14

Mentalização

Percebes que a mentalização dá resultados quando vais à máquina do café buscar um cappuccino que custa 50 cent e no final trazes não só o cappuccino como 72 cent. ahah

15.4.14

Principes da minha vida

Principe Salvador:
Quero dizer-te que tenho tanto orgulho em ti. Orgulha-me ver a forma como cresces, como te comportas. A tua forma doce de ser. O teu abraço é dos melhores abraços que posso sentir. (E de sentir todo este amor neste preciso momento, choro de emoção, de gratidão).
Nesta nova fase em que recebes o teu mano, orgulho-me de ti quando o abraças, quando lhe dás festinhas com o teu dedinho delicado, quando lhe dizes quando chora "Já passou, já passou". Quando lhe mostras o teu novo tubarão e finges que o tubarão o está a morder e reforças "é só a brincar tia".
Orgulho-me de ti quando dás pulinhos de contente quando recebes uma prenda. És lindo lindo e eu amo-te tanto!
 
Principezinho Bernardo:
És o meu amor mais pequenino, mais novo. Chegaste há 15 dias. Durante a gravidez da mamã esperei por ti, queria conhecer-te. Não te imaginei. Quando foi do mano, até tive medo de não saber ser tia, imagina. Contigo não senti medo nenhum. Queria ver-te, queria sentir-te e abraçar-te. Orgulho-me que a mamã ande contigo no pano. Orgulho-me por te ver aconchegado naquele colo que é tão teu. Adoro o teu cheiro, as tuas bochechinhas, as tuas expressões. Mexes muito o nariz e a boca. Fazes biquinho, sopras quando estás a adormecer (pareces o mano, ele ainda hoje faz isso). És tão pequenino e tão amado. Ontem estive num abraço pegado contigo. Coração com coração. Tantos beijinhos que te dei. Digam o que disserem, sei que nesta fase tudo o que precisas é de colo. De abraços repletos de amor e calor. Acho tanta graça à tua sensibilidade ao frio. Não podes sentir um dedo meu que seja na tua pele que choras. Adoro isso. Não que chores, mas que sejas tão sensível e determinado. Espero que não percas isso. Durante toda a tua vida, mostra sempre do que não gostas. Não deixes que te façam mal.
Estou aqui meu amor, para te ajudar a crescer feliz. Como ajudei e ajudo o mano.
 
Obrigada por existirem para mim. Tão perto :) 

Bless :)

Sinto-me tão abençoada.
Gosto de mim como nunca gostei antes. Gosto tanto tanto da pessoa em que me tornei. Em que me torno a cada dia. Dou tudo de mim! Dou o melhor de mim. E quando na minha essência dou conta do menos bom que sou, estou atenta. Nem sempre consigo reformular no momento. Quando ele me diz que não estou a fazer aquilo em que acredito, eu sei perfeitamente que não estou. E isso para mim é uma descoberta, este sentimento de reconhecimento. De consciência. Eu sei que estou a fazer mal, mas por agora não consigo ainda fazer diferente. Reconheço, aceito e deixo fluir. Quando passar passou. E dura cada vez menos tempo.
E quando eu dou o melhor de mim estou atenta também. Tomo atenção ao sorriso que desenho no rosto, de forma tão genuína e tão simples. Dou atenção aos passos que dou, ao contacto dos pés com o solo. Às vezes quando ando muito rápido converso comigo e abrando "Porque vais tão rápido? Que pressa é esta? Relaxa. Sente o peso do teu corpo no chão. Agora continua, devagar."
Estou atenta quando a empatia chega. Quando olho para aquela pessoa e sinto que cuido dela. Que posso ajudar a tranquilizar, a aconselhar, a sugerir, a ouvir.

Gosto muito de mim quando ouço o senhor António dizer que perdeu a companheira de vida de 60 anos, que podia haver igual mas melhor não com certeza. Gosto do que sinto. Da imensa vontade que sinto em abraçar o Gonçalo imediatamente e de lhe dizer "Livra-te de me deixares quando formos velhinhos!" Do arrepio que sinto de uma ponta do meu corpo até à outra com esta imagem de perda do amor da vida. Gosto quando lhe respondo "Isso é tão bonito Senhor António."

Gosto de mim quando atendo o telefone a rir. Quando dou um beijinho na testa da Marta porque vejo que não está feliz. Quando digo à Inês que ouvir vozes pode não ser doença mental, para ela procurar alternativas se assim entender antes que o medo se instale e que os médicos a tratem como louca.
Gosto mesmo cada vez mais de mim. Dia após dia. Com afirmações positivas, com yoga e meditação, com alimentação cada vez mais consciente e saudável, com optimismo e alegria por viver. Cada vez mais perto da minha essência de cuidadora, de mãe. Que feliz, que feliz que sou!

31.3.14

Bernardo, 31 de Março de 2014, 10h (e qualquer coisa)

Chegaste!

Já sinto tanto tanto amor. Ouvir o teu choro foi tão envolvente. Amo-te, já. E ainda não te vi.

6.3.14

doseupai

"Ela vem de duas cesáreas, Pedro,
é perigoso tentar um parto natural".
Perigoso e Pedro, aqui em casa, são duas palavras impossíveis de constar na mesma frase. Envolvendo qualquer um de vocês. Mas com sua mãe, veja bem, filha, mas com sua mãe elas não podem sequer habitar o mesmo parágrafo. Sua mãe é a razão disso tudo aqui, o nosso elo mais importante, o que permite a nossa existência nessa forma harmoniosa que você e seus irmãos conhecem. Sua mãe, em perigo, somos nós, em perigo ainda maior. Sem ela, não somos nada. As palavras do médico ecoavam na minha cabeça, no meu fígado, no meu estômago.
 
Se há um deus, filha, ele é uma mulher grávida.
O momento DELA
Descobri, depois desses meses, dias, horas, minutos tão especiais que, no fim das contas, o parto é um momento muito simples, rápido, maravilhoso.
É o menor limite possível entre a vida e a morte. Ali, no segundo que separou você da vida aqui fora, filha, todos os relógios pararam. De um lado, o risco de algo dar errado. A morte. O nosso eterno medo diante do inevitável. Do outro lado, a chance de dar certo. A vida. O nosso eterno medo diante do desconhecido. Só que entre o inevitável e o desconhecido estava a sua mãe. E ela quis que fosse assim.
E orquestrou a valsa intensa.
Morreu a dor.
Nasceu o grito.
Morreu a lágrima.
Nasceu o sorriso.
Morreu o tempo.
Nasceu a pausa.
Pausa.
No segundo que a separava de nós, aqui fora, o momento DELA, da sua mãe. Nem eu, nem Betina, nem Celine, nem Mayra. Apenas a sua mãe, naquela sala, poderia fazer o que fez. E fez.
Nasceu você.
O seu nascimento, filha, é a morte da descrença, do medo, da inércia, do pessimismo. Você nasceu para a gente se despedir do controle. Parir é perder o controle. Perder o controle é viver em paz. Sua mãe nos deu você, você nos deu a paz. Obrigado, filha."
 
 
Um site LINDO. LINDO.
Para ler sempre. E sentir o imenso amor. Para partilhar com parturiantes. Para mostrar. Para contagiar com este optimismo e com esta imensa beleza.

5.3.14

Carnaval 2014

O dia de ontem foi único e assumidamente diferente.
Desde as 10h até às 18h andamos todos juntos. Mãe, pai, mana e seu barrigão, Salvador e eu.
Cafézinho em família, ida à IKEA, brincadeiras com o piolho atrás das setas luminosas, cumplicidade, ajuda, diversão e partilha.
O prometido almoço ao Mcdonalds faz a felicidade daquela criança. A mãe vir passear com ele todo o dia também, claro.
O passeio em Belém, o almoço esperado, um vídeo que retrata e regista, uma voltinha no parque infantil cheio de mascarados, a visita à avó Zé, a sala cheia, a visita dos tios.
Uma viagem de carro com adivinhas, perspicácias, palmas e grande festa. É o nosso estado normal, em festa, em comemoração, em demonstração de carinho e de amor.
Chegar a minha casa  com os meus pais, montar um móvel, arranjar a máquina da loiça e a cozinha está pronta! Linda, arrumada, vazia. Duma ponta à outra a bancada vazia. O vaso com a erva cidreira.
Um jantar a 4 e uma noite tranquila a 2.

26.2.14

Uma fotografia por dia, nem sabe o bem que lhe fazia.


Ontem comprei pela primeira vez flores para o nosso canteiro. A mãe ajudou-me a escolher e a plantá-las.

Hoje tirei a tarde para costurar as encomendas pedidas, para experimentar um bolo queque e para beber muito chá.

19.2.14

Primeiras vezes: + Ecológica. + Ayrvédica

Domingo usei pela primeira vez o penso reutilizável!
Feedback? Óptimo. A primeira vez que usei foi durante um curto espaço de tempo, mesmo à experiência. Depois como íamos ter casa cheia e a roupa era clara, não quis estar preocupada com o assunto e troquei.
Tem óptima absorção, não passa nada para a parte de trás. Não tem cheiro. A maior parte do sangue sai com água fria. Recorri a anti-nódoas no final para garantir que voltava à cor inicial e deixei a secar, ao vento.
 
Ontem voltei a usar e durante toda a noite. Estava expectante com a absorção nocturna, até pelo fluxo menstrual, mas foi surpreendente. Correu pouquíssimo. Perfect!!
Para já vou intercalando até porque preciso de fazer umas bolsinhas em plástico e costurar mais uns quantos.
 
Nova rotina Ayurvédica: Oil Pulling.
Já tinha lido sobre o assunto e tinha ficado curiosa. Daí até experimentar...enfim.
Domingo a noite chegou uma dúvida sobre possíveis cáries e antes de marcar dentista toca de procurar soluções naturais - Oil pulling diariamente, água salgada diaramente e xilitol depois das refeições.
Ontem foi o primeiro dia! De manhã, ao acordar, colocar o óleo de côco numa colher de sobremesa e bochechar toda a cavidade bucal durante 15/20 min. Não engolir e depois de deitar fora, bochechar com água salgada.
 
Adorei ficar com a memória do sabor a côco, um par de horas depois. Sinto-me bem com esta prática. É simples e traz benefícios incríveis! Acredito mesmo, e basta isso para tudo fazer sentido.

17.2.14

Sobre este fim de semana MA-RA-VI-LHO-SO

Para não esquecer mesmo:
. estou cheia de vontade de ter um diário. Um lugar doce onde possa escrever os meus pensamentos, as minhas reflexões, as minhas dúvidas, as minhas esratégias, a minha serenidade.
 
Sobre este fim de semana de sonho que vivi:
Começou na Sexta feira, no dia dos namorados, quando cheguei a casa bem mais tarde do que tinha planeado (e aqui fica nota mental: nem tudo tem de estar controlado. mesmo). Entre as 19h15 e as 20h30 consegui lavar, limpar e arrumar toda aquela loiça empilhada, consegui estrear-me com um arroz de tamboril, consegui pela primeira vez fazer um lemon curd para ser o topping do cheesecake fingido que decidi preparar para nós. Sei que ele não gosta muito de doces (e eu quero reduzir MESMO a quantidade que ingiro) e nada melhor do que juntar limão e gengibre para tornar tudo mais apetecível.
Ele chegou mais cedo que esperava. Preparamos a mesa juntos em vez de ser surpresa, jantamos no chão da sala, com aquecedor de um lado e velas do outro. O champanhe que nos ofereceram no jantar fizeram as nossas delícias e o arroz de tamboril estava para lá de bom! (Fiquei mesmo orgulhosa! Wiiii) Abraços e muito amor e o nosso dia dos namorados terminou com comemorações e declarações. Sou tão grata por ter esta oportunidade. Por viver um amor tão grande, tão puro, tão genuíno e respeitador. Grata por partilhar contigo a minha vida, grata pelo constante crescimento que vivemos juntos. Obrigada meu amor!
 
No Sábado de manhã fomos fazer aula de Kundalini Yoga a dois. Estava muito entusiasmada! Expectante e curiosa. Por um lado por experimentar Kundalini yoga e por outro, acima de tudo talvez, por ser a dois. Vivida e sentida a dois. Com ele.
A aula foi uma surpresa. Uma constante cumplicidade. Uma expansão do nosso amor e do nosso respeito um pelo outro. Uma abordagem muito importante e gratificante sobre a dualidade de cada ser, sobre as duas energias - feminina e masculina, entre compreensão e limitação, entre ajuda e entreajuda, entre balanço e equilíbrio individual e a dois.
A descoberta daquele chá maravilhoso. O ensinamento daquela meditação quebra discussões - WAHE GURU.
Tanta energia, tantos risos, tanto amor. Mesmo mesmo. Imperdível e para repetir.
A gratidão por vê-lo ali comigo. Dei por mim a pensar que tenho mesmo sorte em partilhar estas vivências com o meu companheiro de vida. Sei que seria muito menos plena se vivesse com alguém que não aceitasse estas experiências e que não se sentisse tão ligado com o espírito como ele.
Saímos de lá com energia para o dia inteiro. Mais apaixonados, a sentir mais compaixão, mais compreensão. Efectivamente mais conectados connosco próprios.
 
Almoço em casa dos meus pais, dar tantos tantos beijinhos ao Salvador (o olhar dele deixa-me completamente derretida. É tanto o amor que sinto. É incrível e emocionante.) Rir muito ao almoço com uma pergunta do meu pai e uma resposta do Salvador. "Mas explica-me lá porque é que mudas tão depressa de ideia?" "Poooooorque a minha ideia muda rápido" Mas com uma entoação brutal! De chorar a rir literalmente.
 
Escolher algumas roupinhas para o Bernardo, ter a ajuda do Salvador para isso. Dar beijinhos na barriga da mana. Sentir o bebé lá dentro.
 
Seguir para uma espera de 40 minutos que podia ter sido chata e aborrecida mas não foi. Levei o livro de Louise Hay comigo e deliciei-me ao lê-lo. Fiz mentalizações, reflexões, vi-me pequenina, à minha mãe e ao meu pai. Envolvi-os em amor e pu-los no meu coração.
 
Ainda fomos a casa, provamos o chá nas nossas chávenas, pus a roupa a lavar e ainda a estendi. Preparamos um lanche e seguimos para Alvalade. Gosto de o acompanhar. Sei o quanto é feliz quando joga à bola ou quando vê o Sporting jogar bem. Gosto de ir com ele para todo o lado. Gosto que nos divertamos juntos. Gosto que nos cheguemos um ao outro para sermos mesmo felizes.
 
Depois do jogo, ainda fomos a Alfama ouvir uma amiga do Gonçalo cantar em brasileiro e ainda conhecemos mais dois músicos - Rogério Godinho e Rita Dias.
Chegamos a casa já depois da 01h30 cansados, com sono, plenos, felizes e tão gratos por aquele dia tão preenchido.
 
Ontem foi dia de ir buscar duas cadeiras vintage que nos ofereceram! Ahah. Vamos ser conhecidos como os "velharias" ou "cadeiras em pó". Depois do Mel e Noz e cafézinho fomos a Almoçageme buscar fruta e legumes. Aquele verde imenso a entrar em mim. Tocar a fruta, senti-la. Agradecer por poder comer fruta biológica criada na horta do senhor ali mesmo ao lado, na serra. Trazer "tomarilhos" para experimentar. Trazer um queijo em troca de levar frascos vazios. (e por mim vivia à base de trocas sempre!). Ver um bocadinho do jogo de futebol dos amigos, rir muito com a Sara a apitar e marcar as faltas. ahah. Voltar para casa e preparar o lanche para os mais de 15! Bolachinhas para todos, novo projecto anunciado. Um jantar a quatro e conversa profunda. Deitar-me com sono e em paz.
Antes disto, ver o céu com nuvens cor de rosa, agradecer e sentir que não há outro sítio no mundo onde seja mais feliz.
 
SAT NAM para me conectar quando as máscaras se aproximarem de mim :)

11.2.14

O melhor do meu dia ontem - estar com o Salvador, sem dúvida

Tinha-lhe dito que ontem não trabalhava e que podíamos estar a tarde inteira juntos.
Fui buscá-lo à escola de surpresa. Vi os seus olhos brilharem tanto e o seu corpo correr para o meu para um abraço apertado.
Perguntei-lhe se queria ir para Janas comigo e disse prontamente que sim.
Fomos à padaria pedir fermento de padeiro e fomos decididos a fazer pão. A primeira vez dos dois iria ser juntos.
Misturamos os ingredientes, deixamos a massa a levedar. Fizemos um pão quase bolo. Comemos quentinho com manteiga.
Quando os senhores da Internet chegaram e começaram a fazer buracos na parede ele tapou os ouvidos e não mais os destapou. Quando o barulho era muito intenso eu apertava a cabeça dele de encontro às minhas pernas e tapava a outra orelha com a mão firme. Quando o barulho acabava e eu tirava a mão ele dizia: "Tia, põe a mão no meu ombro outra vez." Sentamo-nos no Puff, enrosquei-o em mim e tapei-o com casaco e cachecol, apertando-o muito cada vez que o barulho forte se fazia sentir. Ouvia-o gemer, de medo. "É só barulho bebecas, não faz mal. Eu também não gosto nada. Mas está tudo bem."
O carinho. Tanto. O menino de 3 anos amedrontado que conscientemente eu embalava e acalmava. A chamada de atenção para a criança interior de todos nós, que se assusta, que pede protecção, que quando mimada e amada, se acalma e volta a confiar.
O "Gosto muito de ti tia" que ele me diz genuinamente. O jogo de "crescidos" que jogamos. A diversão que foi - "agora é gestos. tens de "saltar à corda" para eu adivinhar". "agora é a tua vez de desenhar um computador." "mas eu não sei" "então o que tem um computador?" "tem uma tampa" "boa, desenha então a tampa. E mais?" "e tem botões." ...
 
Que boa tarde que foi! Adormeceu no caminho para casa, levei-o ao colo como tanto gosto para a sala. Deitei-o no sofá e dei-lhe tantos tantos beijinhos. Amor mais puro. Que forte.

5.2.14

ZZzzZ*

Gosto do silêncio que se ouve naquela casa. Gosto de não ter televisão. A televisão tem muito ruído. Faz o tempo voar sem darmos conta. De repente ficamos presos nela e puff.
Gosto de comer a ouvir-me comer. E mastigar a ouvir-me mastigar.
Gosto da boa música que ponho a tocar na sala. Gosto que sejam 19h ou 21h ou 23h e estar no mini atelier, enrolada naquela manta a ouvir a máquina da costura e deixar-me levar por aquele ritmo.
Gosto que a Shisuka arranje maneira de vir para o meu colo, encoste o focinho ao meu braço e ali se aninhe. Parece uma bebé. Mesmo. Eu, ela, a noite lá fora, a tempestade de ontem, a máquina da costura e a luz baixa do candeeiro. Enroladas na manta, a fazer as almofadas do nosso sofá.
Gosto de preparar o jantar. Ter consciência que o que estou a cozinhar é para o nosso bem, para a nossa saúde. Saber que o peixe que está no forno nos vai dar nutrientes importantes.
Gosto de deixar o quarto quentinho para quando ele chegar. Gosto de aquecer água para pôr no saco. Qual velhinha qual quê.
Gosto de limpar a casa, aspirar o pó e os pêlos que vão caindo. É sinal de vida e de presença. Gosto desta responsabilidade que é ter uma casa por conta própria, por vontade nossa.

16.1.14

No meio da aventura

"Estou radiante por estar no mio desta aventura, pois sei que nunca mais voltarei a passar de novo por esta experiência particular." Louise L. Hay
 
Ao ler esta frase senti imediatamente uma chamada de atenção. Um click na consciência, uma vez mais. É a única vez na minha vida que estou a deixar a casa dos meus pais para viver sozinha. Esta aventura que é deixar o ninho dos pais, o lugar que para mim sempre foi seguro, onde as responsabilidades eram pouco pesadas, onde a cama dos pais estava sempre aberta para quando quisesse enfiar-me, onde as cóceguinhas nas costas eram oferecidas com amor e paciência, onde havia sempre ingredientes para os meus poucos bolos feitos, onde a internet era paga sem eu dar conta, onde o gás é natural e não precisamos de contar o tempo em que o fogão está acesso, onde os panos e as toalhas apareciam secos e bem cheirosos, onde a sopa sempre teve o sal na conta certa, onde o peixe sempre existiu para equilibrar a nossa nutrição. Este lugar que sempre foi a minha casa, agora passa a ser a casa dos meus pais. E esta transformação é única. É a única vez que dou conta que deixo de fazer "as minhas coisas" para ir fazer a nossa sopa, que ligar o fogão custa dinheiro, que quando chego a casa se ele não estiver lá eu fico sozinha, que para falar com a minha mãe tenho de lhe ligar, não vale a pena ficar à espera que ela volte a casa logo à noite, que quando o lixo se acumula se eu não o levar para a rua vai ficar a cheirar mal na cozinha, que os panos demoram mais do que 2 horas a secar, que se não estender a toalha do banho ela está encharcada na manhã seguinte, que é preciso pensar nas refeições que vamos fazer porque se não corremos o risco de nos alimentarmos mal.
 
É a primeira vez que tenho contacto com tudo isto e nem sempre aproveito e vivo da melhor forma, da forma mais grata. E de hoje em diante, quando me sentir refilar por dentro, vou lembrar-me que é a única vez que vivo esta aventura, e sei que vou sorrir e sentir tanto amor e gratidão por esta nova fase.
 

14.1.14

Para não esquecer, ainda que o passado seja isso mesmo

Ontem o Salvador fez análises pela primeira vez. Perguntei-lhe como tinha sido. Respondeu-me "Portei-me muito bem. Não chorei, nem doeu." Ao tirar o penso, mal toquei no adesivo começou com lágrimas nos olhos. Disse-lhe "Meu amor, doi um bocadinho porque puxa os pêlos, mas fazemos rápido." A minha mãe disse-lhe "Então não choraste há bocado com a pica..." Ao que ele responde "Mas agora dói!" E chorou muito, num abraço partilhado entre nós.
 
Depois perguntei-lhe se queria vir passear comigo durante a tarde. Quis e ao sair de casa disse adeus à mãe e aos avós e disse: "Adeeeeeus, volto mais logo."
 
À pergunta "Como achas que vai ser o mano?" "Vai ser como eu. Com os cabelos claros e os olhos azuis."
 
"Como te sentes em relação ao mano?" "Sinto-me bem." "Não tens medo?" "Não. Eu vou ensinar-lhe muitas coisas e brincar muito com ele."
 
Antes do banho não lhe podia tocar nem com as mãos, nem punhos nem antebraços. A temperatura não o permitia. Quis segurar sozinho no duche. Apontava para a pilinha, ria-se e dizia: "faz cócegas!". A descoberta da sexualidade é uma coisa mesmo bonita. Enrolei-o todo quando saiu do banho, e em posição fetal ao meu colo segurava-o com a mão direita no rabinho e a mão esquerda nos pés. Disse-me "Tira as mãos tia." Pensei que ainda sentisse o frio das minhas mãos através do turco. Esclareceu-me "Tinhas a mão ali ao fundo e eu não gosto."
 
Aos 3 anos e pouco mais de meio, o Salvador está crescido. Tem alguma dificuldade em integrar conteúdos, responde de forma simples - bem, mal, sim e não. Mas tem argumentos muito engraçados.
É uma presença que me enche o peito e me ajuda a sentir tanto tanto amor. É uma óptima companhia, compreende os limites, as regras e as excepções. Sabe estar, é autêntico.
 
E eu sou tão grata por poder acompanhar todo este crescimento.

10.1.14

"Para quê?"

A primeira pergunta que fiz em voz alta esta manhã.
"Para quê levantar-me às 07h20m e deixar-te aqui?" Nem meio segundo depois a resposta mental: "Para ser possível ires amanhã para Évora para o teu merecido fim-de-semana de Doulas."
É assim que a vida acontece. Minuto após minuto. Sempre consciente do meu valor, sempre com consideração e respeito por mim, sempre a fazer melhor pelo meu mundo e pelo mundo de quem me rodeia.
 
Esta semana li esta frase da Madre Teresa de Calcutá:
"Não devemos permitir que alguém saia da nossa presença sem se sentir melhor e mais feliz."
 
Ontem cheguei a casa determinada a fazer um bolo cuja receita encontrei de manhã. Às 18h estava o bolo no forno e as 18h40 estavamos 7, sentados à volta da nossa mesa a apreciar aquela fatia de bolo de côco, framboesas e chocolate acompanhado com chá de Roiboos e laranja.
 
Gosto de fazer aos dias de semana o que normalmente se faz aos fins-de-semana. Não gosto de esperar pelo Sábado ou Domingo para reunir a família, para fazer um bolo ou para ir caminhar ao final do dia. Gosto de fazer valer todos os momentos e transformar cada um em partilha, em amor e repleto de sorrisos carinhosos.
 
Ontem ainda voltei à costura, a máquina está perra de tanto tempo que esteve parada. O coelhinho quente parao  Bernardo está quase pronto, os miminhos que vou fazer para o Sebastião já estão prestes a sair da gaveta, o projecto "Sintra em cada manhã" já conta com mais de 5 fotografias.
A mala para o fim-de-semana é preparada hoje com a roupa mais confortável e simples que tiver. Anseio por aquela calma e estou desejosa de me sentar no chão com a chávena de chá ao lado. Abraçar-vos vai ser mesmo bom.

7.1.14

X coisas antes de morrer

Costumo ser pouco ambiciosa no que toca ao "fazer antes de morrer". Não tenho listas intermináveis de sítios a conhecer antes de morrer, não sou louca por experiências e não as guardo como últimas oportunidades.
Hoje acordei a pensar num filme de 2 minutos que vi ontem. Este para ser específica:
 



Sempre adorei primatas. Tenho um fascínio por macacos, não sei bem porquê. Sempre senti imensa vontade de os ter no colo como esta senhora. De os abraçar. De lhes dar biberão se necessário fosse. Nunca me aproximei disto. Não fui para Biologia, nem para Veterinária. Nem acho que tenha de ir nem que devesse. Mas hoje dei por mim a pensar que não gostava nada de morrer sem experimentar este amor.

6.1.14

Dia 01/01/2014:
> Um lanche tardio com scones feitos por mim.
> Um colo maravilhoso que dei ao Afonsinho. Encostar a minha bochecha à testa dele. Senti-lo quentinho naquele abraço que é nosso.
 
Dia 02/01/2014:
> Lx factory - conversa agradável num café muito agradável - "toma lá que já levaste" e ainda me sentei no baloiço à janela.
> Rumo à baixa lisboeta e a vontade de comer um crepe. Royalle, um pátio maravilhoso, um crepe delicioso e pequeno, a melhor companhia da minha vida.
> Saldos e confusões, demasiado barulho, demasiado pó, demasiada gente. Umas calças alegres, suaves e confortáveis.
> Um noori de salmão flamejado com queijo creme, os meus olhos a fecharem só para melhor degustar. Adoro sushi e bendito o dia em que o G. me deu a conhecer esta maravilha gastronómica.
> Compras para a nossa casa, pela segunda vez. Ir ao supermercado nunca mais vai ser a mesma coisa.
 
Dia 03/01/2014:
> Trabalho, trabalho.
> Jantar de amigos e ouvir falar de arquitectura.
> Ter a liberdade de me deitar no sofá e dormir enquanto a conversa se desenrolava em torno da nossa mesa.
 
Dia 04/01/2014:
> Acordar com chuva. Meditar na cama enquanto admirava a força inabalável da natureza, ao som do vento.
> Aproveitar a casa em silêncio.
> Lanchar com a mãe, mana, Salvador e Bernardo. Ver o sorriso do meu príncipe e sentir as saudades, minhas e dele. Não o querer largar. Meu amor maior.
> Filmar a Shisuka e decidir que iria fazer-lhe um blog. Partilhar os melhores momentos, dar-lhe voz, exteriorizar os pensamentos que tenho que ela terá em relação a nós. "Onde está a Amélia?"
 
Dia 05/01/2014:
> Comprar pão na padaria da aldeia pela primeira vez. Levar pão centeio e de milho para a nossa casa.
> Pequeno almoço tranquilo e cheio de felicidade.
> Começar a ler o livro do Chakall à mesa e levá-lo para o sofá. Ser transportada através daquelas palavras e daquelas imagens.
> Apanhar areia na praia para encher os nossos chouriços.
> Fazer panquecas para a sobremesa de amigos. Ficarmos horas à mesa a conversar. Continuar as conversas sérias no sofá. Sentir tanto amor que temos uns pelos outros e ver-nos crescer, juntos.
> Jantar com o G. em casa da minha mãe. Sentir o que é ir a casa dos pais jantar e voltar para a nossa casa.
 
Que eu faça de todos os dias, dias cheios de histórias para contar. Plenos de consciência, de alegria e de amor.

A conversa do final de ano e a determinação a falar mais alto - felizmente

Mais uma vez, trouxe até mim uma situação que me testou. Uma situação em que senti vontade de sair e fui ficando. Em que deixei o outro verbalizar por saber que é importante ainda que não quisesse mais ouvir.
 
No final, saí da conversa com o vestido cheio de vinho, confusa e exausta.
 
Novamente me vejo a escolher. Não quero isto na minha vida. Tentei ajudar, percebi que não consigo e decidi que não vale a pena.
 
Mantive-me bem porque lutei por este equilíbrio. Se houvesse ponta de instabilidade naquele momento, ele tinha-me atirado ao chão só com a força do embate. E não vou deixar que pessoas assim me rodeiem.

Dois mil e quatorze

Enquanto eles dançavam, sentei-me à mesa a escrevi os meus objectivos para este novo ano.
Não acredito na mudança do novo ano como mudança inerente, mas gosto de usar o final do ano para pensar em tudo o que fiz acontecer, olhar-me no início e no fim, ver as diferenças, orgulhar-me do crescimento e estabelecer novos objectivos ou reforçar os existentes.

Em 2014 quero:

>  criar a minha família com o Gonçalo
> melhorar a minha relação com os meus pais e manas - ser mais paciente e aceitá-los, mesmo.
> ser doula :)
> ser anfitriã na casa nova - estar mais com os amigos do coração
> fazer jardinagem
> ter hábitos de vida mais saudáveis, conhecer mais sobre a minha alimentação e sobre tratamentos naturais
> estar muito presente no primeiro ano de vida do baby Bernardo
> acompanhar o Salvador, como sempre.
> ouvir mais música
> chatear-me menos, preocupar-me menos, confiar mais,  sorrir mais
> fazer yoga de forma disciplinada, conseguir a invertida sobre a cabeça e a espargata.

E se tudo isto assim for, no final de 2014 serei ainda mais feliz!!