15.4.14

Bless :)

Sinto-me tão abençoada.
Gosto de mim como nunca gostei antes. Gosto tanto tanto da pessoa em que me tornei. Em que me torno a cada dia. Dou tudo de mim! Dou o melhor de mim. E quando na minha essência dou conta do menos bom que sou, estou atenta. Nem sempre consigo reformular no momento. Quando ele me diz que não estou a fazer aquilo em que acredito, eu sei perfeitamente que não estou. E isso para mim é uma descoberta, este sentimento de reconhecimento. De consciência. Eu sei que estou a fazer mal, mas por agora não consigo ainda fazer diferente. Reconheço, aceito e deixo fluir. Quando passar passou. E dura cada vez menos tempo.
E quando eu dou o melhor de mim estou atenta também. Tomo atenção ao sorriso que desenho no rosto, de forma tão genuína e tão simples. Dou atenção aos passos que dou, ao contacto dos pés com o solo. Às vezes quando ando muito rápido converso comigo e abrando "Porque vais tão rápido? Que pressa é esta? Relaxa. Sente o peso do teu corpo no chão. Agora continua, devagar."
Estou atenta quando a empatia chega. Quando olho para aquela pessoa e sinto que cuido dela. Que posso ajudar a tranquilizar, a aconselhar, a sugerir, a ouvir.

Gosto muito de mim quando ouço o senhor António dizer que perdeu a companheira de vida de 60 anos, que podia haver igual mas melhor não com certeza. Gosto do que sinto. Da imensa vontade que sinto em abraçar o Gonçalo imediatamente e de lhe dizer "Livra-te de me deixares quando formos velhinhos!" Do arrepio que sinto de uma ponta do meu corpo até à outra com esta imagem de perda do amor da vida. Gosto quando lhe respondo "Isso é tão bonito Senhor António."

Gosto de mim quando atendo o telefone a rir. Quando dou um beijinho na testa da Marta porque vejo que não está feliz. Quando digo à Inês que ouvir vozes pode não ser doença mental, para ela procurar alternativas se assim entender antes que o medo se instale e que os médicos a tratem como louca.
Gosto mesmo cada vez mais de mim. Dia após dia. Com afirmações positivas, com yoga e meditação, com alimentação cada vez mais consciente e saudável, com optimismo e alegria por viver. Cada vez mais perto da minha essência de cuidadora, de mãe. Que feliz, que feliz que sou!

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