21.3.12

No meio de tanta coisa que actualmente não sei, sei que:
  1. quero ficar com a minha alma gémea para o resto das nossas vidas (e mais)
  2. quero ser mãe a tempo inteiro
  3. quero ser educadora
  4. quero ensinar outras mães a cuidarem dos seus filhos,
  5. quero transmitir os valores que tenho para criar pessoas maravilhosas
  6. quero trabalhar com crianças
  7. quero apanhar sol sempre que ele surgir
  8. quero almoçar em esplanadas a meio do dia de trabalho
  9. quero ser independente
  10. quero ser empreendedora
  11. quero ser criativa
  12. quero fazer costura e miminhos para os mais pequenos
  13. quero amar tudo e todos
  14. quero aprender a aceitar
  15. quero aprender a perdoar
  16. quero continuar a ser feliz como sou, e mais.

19.3.12


Era uma vez uma menina que não conhecia o tempo. Não sabia que a vida como a conhecia um dia ia acabar e desperdiçava tempo, pessoas, lugares, sol...Desperdiçava.
Um dia começou a pensar no que os mais velhos diziam e apercebeu-se que existia o tempo e que mais dia menos dia, as pessoas de quem gostava iam desaparecer e ela própria, um dia, iria fechar os olhos para não mais os abrir.
A partir desse dia, propôs-se a praticar um exercício diário - lembrar-se que aquele podia ser o último dia - para assim poder vivê-lo da melhor forma, da forma mais plena.
Então, todos os dias a menina agradecia por estar viva e todos os dias agradecia por ter os pais por perto, os amigos e quem lhe era mais querido.
Começou a sentir o sol na pele de outra forma, com outra intensidade. Começou a querer tornar cada dia único. Começou por mudar a hora do despertador e pô-lo diferente a cada dia. Se tinha de acordar às 08h00 a semana inteira, variava entre as 07h59; 07h56; 08h02...Começou a estar mais atenta às pessoas na rua, a ajudar quem mais precisava, a amar mais e a ser cada vez mais e mais feliz.
Passou a valorizar tanto o tempo que começou a ser muito selectiva com as actividades que fazia, com as pessoas com quem passava tempo. Evitava discutir gratuitamente, repensava a utilidade das coisas que dizia e evitava desperiçar o tempo com coisas supérfluas e inúteis.

Um dia apercebeu-se que 6 das 24 horas do seu dia eram gastas, literalmente. Mal gastas. E começou a pensar o que podia fazer para melhorar. Agarrava-se às coisas boas - aos sorrisos que recebia, aos agradecimentos e ao cuidado que prestava, mas começou a perceber que andava constantemente a contrariar-se.
Compactuava com faltas de respeito quando ela não as cometia. Era bombardeada com pessimismo quando ela era optimista. Começou a sentir-se mal por se deixar levar e andar a desperdiçar o seu tesouro com quem não merecia.
Começou cada vez a pensar mais e a procurar soluções para a sua vida, queria retomar o seu tempo da melhor maneira que sabia. E já sabia que não era assim. Cada vez pensava mais e usufruia menos. Ao sol - pensava. Á beira mar - pensava. Ao lado de quem mais amava - pensava.

Chegou o dia em que a menina voltou a não saber aproveitar as horas do seu dia porque os dias eram gastos a pensar demais.

13.3.12

"Na sequência da avaliação de resumos efectuada pela Comissão Científica (...)  vimos informar que o trabalho intitulado ““Estudo da Relação entre Heparina e Protamina” - Influência na Drenagem Torácica” foi aceite pela mesma, no formato de Comunicação Livre Oral." (13.02.2012)
Saí de casa com vontade de tornar o dia único. A verdade é que fugir da rotina está inteiramente ao meu alcance e assumir conscientemente que o dia 13 de Março de 2012 é único traz-me benefícios.
O caminho entre a minha casa e a estação de comboios é sempre o mesmo e isso não me incomoda nada. A espera pelo comboio foi diferente porque percebi a tempo que uma senhora idosa precisava de ajuda para descer as escadas. Ainda bem que senti o seu desconforto, voltei a trás, peguei no saco que trazia e pus-lhe o meu braço à frente para o usar como apoio. A sério que se não tivesse tido ajuda, aquelas escadas inofensivas para a maioria de nós teriam sido o perigo do dia para ela. A tristeza de ter deixado o marido internado no hospital, a aflição de subir tantos degraus quando a asma provoca aperto no peito e falta de ar, foi ligeiramente aliviada quando sentiu que durante aqueles 5 minutos tinha alguém com que falar. "Muito obrigada e bom dia!" - o meu dia já tinha tido aquela marca que desejava.
Entrei no comboio e o tom de voz aumentado de um senhor que se queixava dum rapaz que "não estava sentado na cadeira como gente" deixou-me inquieta. Decidi que não queria ouvir aquilo, levantei-me e mudei de carruagem. Quando era pequenina as minhas irmãs gozavam comigo porque assim que alguém gritava comigo ou perto de mim eu começava a chorar. Sempre fui sensível a tons de voz alterados. Detesto. Deixa-me insegura e desprotegida. Gostei quando o rapaz se levantou, deixou o senhor a falar sozinho e se mudou para a minha carruagem.
Quando cheguei ao Metro, a senhora que vende a revista Cais viu-me e eu senti imediatamente que tinha sido a escolhida. Ela mudou ligeiramente o seu percurso para se aproximar do meu e fez o seu papel. Quando lhe disse que não estava interessada, perguntou-me se pelo menos podia fazer uma pergunta. Parei, olhei para ela, sorri e disse que sim. Perguntou-me se não lhe podia dar dinheiro para a sopa. Lembrei-me logo que na mala trazia lanche a mais e que lhe podia perfeitamente oferecer as bolachas. "Muito obrigada e bom dia!"
Fui de sorriso na cara até ao final da plataforma e ouço um jornal cair no chão, mesmo ao meu lado. Inclino-me imediatamente para o apanhar, mas a mão do senhor chegou primeiro. Agradeceu-me ainda assim e eu senti-me contente pelo reflexo prestável que tive.
Assim sim. Estou vaidosa e com razão. Na minha agenda, o dia de hoje já tem marcas únicas e eu gosto dele assim.

9.3.12

E vão 3...


E vão mais 3...


Como é que é possível? A primeira vez que ouvi falar dela, disseram-me que era muito ocupada, tinha um feitio muito especial e precisava de alguém que cuidasse dela. Achei que podia ajudar, afinal "cuidar" é o meu forte.
Quem adivinhava que uma semana depois ela me procurava e 5 meses depois chorava à minha frente, a pedir colo, apoio, amizade e cuidado.
Eu adoro cuidar, mas  cuidar de ti é tão difícil. Para cuidar de ti tenho de deixar de cuidar de mim. Não posso. E é por isso que somos incompatíveis. E é por isso que depois de te ver chorar, fico eu a chorar. E depois de te enviar luz, sinto-me eu apagada.
Não posso. Não quero assim.

8.3.12

11h11 de dia 08-03-2012, no Fórum Picoas, Lisboa

Neste dia que começou com taquicardia sinusal, consequência de fortes injecções de adrenalina despejadas na circulação sistémica pelas glândulas supra-renais, dou por mim ansiosa por encontrar um papel e uma caneta que me permitam registar todos estes pensamentos que me invadem a mente:
- Sou mais criativa do que cientista.
Não gosto do "tem que ser porque sim". Não gosto de regras. Mas gosto e muito de bom senso. Não há obrigações nem proibições (excepto no código da estrada ou seria o caos à moda da Índia). Há valores morais - respeito, amor - e isso chega para cada um de nós saber agir.
Adoro a máxima "Não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti." E não é cliché. É verdade. Para mim, esta é a base do respeito. Seguir-me por isto é tão, mas tão fácil.
Não gosto de verdades absolutas. Gosto de perspectivas. Gosto de empatia e gosto do exercício de me pôr no lugar do outro. Não é fácil esta parte, mas quando chego à conclusão que afinal até consigo compreender, é mil vezes mais gratificante do que desistir e julgar.
Não gosto de andar a meio gás. Gosto de dar tudo, ser tudo, sentir tudo. Gosto de acordar às 7h18, apanhar o comboio, andar pelas ruas de Lisboa à espera do momento certo, esconder-me numa entrada de prédio e aparecer à frente dele. Gosto de fazer surpresas às pessoas. Gosto de ser diferente. Gosto de sorrisos fáceis mas não tolos (detesto os tolos, aliás). Gosto de sorrir e responder "bom dia!!" a alguém que entra no café onde estou só porque ao longe ouvi "bom dia". Gosto de sentir vontade de criar a "Fábrica das mimoquices" - de ajudar pessoas a preparem surpresas e a sorrirem e a receberem abraços de agradecimento, de mimar  e ajudar a espalhar amor.
Gosto que alguém tenha a ideia de cortar moldes de coração e colar nos semáforos e espalhar receitas de mimos pelas caixas multibanco. Mais, gosto que ponha estas e outras ideias em prática!
Gosto de ter ideias e de agir. Não gosto quando as ideias não passam disso mesmo. Sou muito impulsiva com isto. Adoro pôr mãos à obra. Se não for para fazer, então não vale a pena. Adoro criatividade. Adoro desafiar-me a pensar fora da caixa e adoro fazer a lista das 40 coisas. Adoro chegar mais longe e gosto especialmente quando com as minhas criações surge amor e alegria.
Também adoro que isto se torne viciante e que me dê vontade de começar todos os dias assim.
Sinto a energia bater e o coração fluir.
Sinto bichos carpinteiros nos dedos. Vejo a caneta a deslizar no papel da maneira mais rápida que já vi. Sinto vontade de escrever o tal livro para crianças, sinto vontade de ir para a rua correr como elas e rebolar naquele pedaço de relva que está aqui, do meu lado direito.
Vou viajar mais um pouco por sonhos e desejos e depois ganhar coragem para estudar um bocadinho de anatomia e patologia e ecocardiografia e cardiologia.
O bom disto é que já descobri que quando estas áreas científicas são transversais aos bebés e às crianças a motivação é outra e a vontade de amar e cuidar dos mais pequenos dá-me força para brincar aos médicos e cientistas.
Sou mais criativa que cientista, ainda assim.

6.3.12

P.S. Só para não estar com coisas recebi miminhos e simpatia pelo telefone - "Sim Catarina?"
E não tarda chega o mimo esbanjado por seres com idade superior a 60 que agradecem muito o cuidado e os sorrisos que recebem só por vir cá. Nada mal, vá.
Não gosto quando os dias são todos iguais. Não gosto quando eu não sou capaz de os tornar únicos. Não gosto de ir na maré. Não gosto de sentir inércia. E pior, senti-la e não a contrariar. Não gosto que os dias passem em branco. Não gosto quando começamos a entrar na rotina. Não gosto de não marcar a diferença. Não gosto de ter de puxar muito pela cabeça para encontrar a particularidade de Hoje.
Agora,
Gosto que o sol tenha sorrido imenso neste preciso momento só para me sentir mais leve.

4.3.12

Porque não faz sentido acomodar-me. Porque não faz sentido não ser totalmente feliz. Porque não faz sentido viver com medo. Porque não faz sentido esta instabilidade. Porque não estou a aprender, porque ali amo pouco, porque sou muito mais necessária aqui.

Mais autoconhecimento. Novas descobertas, novas vontades. Novo projecto.