Agora sim, está quase.
O Domingo foi intenso e intensivo. A mãe é fundamental. Talhada para a organização e limpeza para além dos outros trezentos mil talentos e facilidades, esta mãe sabe disto.
Das 10h às 20h com almoço alargado, foi de uma ponta à outra. Cada divisão limpa e arrumada era fechada. Next, Lava, seca, arruma. Que cheirinho naquela casa.
Agora sim, está mesmo quase. Homem do gás por favor não demore! Queremos tanto usufruir daquele ninho.
23.9.13
12.9.13
5.9.13
4.9.13
Avó Zé
A minha avó não é uma pessoa fácil. Identifico-me muito pouco com ela, com a sua maneira de ser, de viver, de ver e essencialmente de sentir.
Cada vez mais me tento abstrair destas nossas diferenças e tento, com imensa vontade, ver o melhor dela. Descobrir que mulher é aquela que eu só conhecia nos seus 67 anos. Quem foi ela durante toda a vida? O que a tornou tão fria, tão rígida, tão "insensível"?
Ontem fui visitá-la. Cheguei antes dos meus pais e isso deu-nos algum tempo a sós.
Olhei para cada detalhe do seu rosto. Com quase quase 91 anos esta minha avó tem as rugas preenchidas. Tem um olhar que é só dela e só agora as bochechas começam a descair.
Leu-me uma oração e quis filmar esse momento. Vou lembrar-me sempre dela com os seus livrinhos das missas e das liturgias por perto. Deixei-a ler para mim. A oração terminava "Jesus dai-me um coração como o teu". Apesar das nossas diferenças, todos os dias eu luto por isto. Por um coração como o dele. Por viver em amor, transmiti-lo a quem se cruza comigo, alimentá-lo e senti-lo em cada instante.
Descobri que a avó foi uma lutadora. Teve 6 filhos e ainda os tem vivos. A todos! Naquele tempo não era fácil e ela subia e descia a Serra só para os salvar.
Teve 3 dias em trabalho de parto da minha tia mais velha. Quando ela nasceu já espumava pela boca e foi o médico que com a própria boca lhe tirou a espuma. "Um santo." Disse-me ela.
Os mamilos cairam-lhe ao amamentar a primeira filha. Deixou de poder dar-lhe do seu leite e disse-me que a alimentava com leite condensado que custava 10 escudos na altura. Que o seu sogro lhe oferecia 5 latas de cada vez para que ela pudesse alimentar a sua filha. A minha tia ia crescendo e o leite deixava de ser suficiente. Compraram então uma cabra para lhe darem do seu leite como complemento ao leite condensado.
Que azar tiveram que a cabra estava doente e a minha tia, ainda bebé, gravemente doente ficou. "A língua não lhe cabia na boca!" Disse-me que a descer a Serra para a levar ao médico uma "tia" viu-a e disse-lhe "Ai Maria José, volta para casa com ela que ela não te chega viva lá abaixo."
A minha avó nem ligou, continuou no caminho confiante que a salvava.
Quanto à minha mãe, com 2 anos teve de mostrar que queria viver. Uma doença grave quase a levou. Mais uma vez a minha avó, Serra acima e Serra abaixo para a levar ao médico. Injecções e mais injecções, abcessos e infeccções. Quando a curou o médico levantou-a no colo e disse "Não fui eu que a salvei. Foi esta Santa" [No consultória havia uma Nossa Sra. da Conceição - e isso já explica o Conceição no nome da minha mãe].
Olhei para a minha avó como nunca antes tinha olhado. Guerreira, determinada. Nada a fazia parar. Mulher de fé, toda a vida foi. E agora já sei que aprendeu cedo.
Obrigada por teres lutado pela minha mãe avó. OBRIGADA!
Cada vez mais me tento abstrair destas nossas diferenças e tento, com imensa vontade, ver o melhor dela. Descobrir que mulher é aquela que eu só conhecia nos seus 67 anos. Quem foi ela durante toda a vida? O que a tornou tão fria, tão rígida, tão "insensível"?
Ontem fui visitá-la. Cheguei antes dos meus pais e isso deu-nos algum tempo a sós.
Olhei para cada detalhe do seu rosto. Com quase quase 91 anos esta minha avó tem as rugas preenchidas. Tem um olhar que é só dela e só agora as bochechas começam a descair.
Leu-me uma oração e quis filmar esse momento. Vou lembrar-me sempre dela com os seus livrinhos das missas e das liturgias por perto. Deixei-a ler para mim. A oração terminava "Jesus dai-me um coração como o teu". Apesar das nossas diferenças, todos os dias eu luto por isto. Por um coração como o dele. Por viver em amor, transmiti-lo a quem se cruza comigo, alimentá-lo e senti-lo em cada instante.
Descobri que a avó foi uma lutadora. Teve 6 filhos e ainda os tem vivos. A todos! Naquele tempo não era fácil e ela subia e descia a Serra só para os salvar.
Teve 3 dias em trabalho de parto da minha tia mais velha. Quando ela nasceu já espumava pela boca e foi o médico que com a própria boca lhe tirou a espuma. "Um santo." Disse-me ela.
Os mamilos cairam-lhe ao amamentar a primeira filha. Deixou de poder dar-lhe do seu leite e disse-me que a alimentava com leite condensado que custava 10 escudos na altura. Que o seu sogro lhe oferecia 5 latas de cada vez para que ela pudesse alimentar a sua filha. A minha tia ia crescendo e o leite deixava de ser suficiente. Compraram então uma cabra para lhe darem do seu leite como complemento ao leite condensado.
Que azar tiveram que a cabra estava doente e a minha tia, ainda bebé, gravemente doente ficou. "A língua não lhe cabia na boca!" Disse-me que a descer a Serra para a levar ao médico uma "tia" viu-a e disse-lhe "Ai Maria José, volta para casa com ela que ela não te chega viva lá abaixo."
A minha avó nem ligou, continuou no caminho confiante que a salvava.
Quanto à minha mãe, com 2 anos teve de mostrar que queria viver. Uma doença grave quase a levou. Mais uma vez a minha avó, Serra acima e Serra abaixo para a levar ao médico. Injecções e mais injecções, abcessos e infeccções. Quando a curou o médico levantou-a no colo e disse "Não fui eu que a salvei. Foi esta Santa" [No consultória havia uma Nossa Sra. da Conceição - e isso já explica o Conceição no nome da minha mãe].
Olhei para a minha avó como nunca antes tinha olhado. Guerreira, determinada. Nada a fazia parar. Mulher de fé, toda a vida foi. E agora já sei que aprendeu cedo.
Obrigada por teres lutado pela minha mãe avó. OBRIGADA!
2.9.13
Várias EU
Tenho a cabeça a mil. Dentro de mim existem várias "Catarinas" neste preciso momento. Neste momento que dura há tempo demais.
Existe a Catarina empresária - que precisa de ginástica mental e criatividade para lançar a empresa, para mostrar, para divulgar, para arranjar clientes e forma de sustentabilidade e crescimento. Não dá para parar. Quando os números aparecem, quando os medos se colam, quando a insegurança surge é mesmo preciso sacudir, olhar em frente, agarrar em toda a coragem que me assiste, procurar um pouco mais e focar no que é importante. Calma, fé, motivação e as coisas seguem ao seu ritmo.
Existe a Catarina mulher - que está muito cansada desta fase de quase mudança, que ainda não deixou de ser quase ainda que este quase tenha chegado há mais de 6 meses. Esta menina mulher preocupa-se com os timings, com a gestão entre a vontade e a realidade. Com a lembrança a cada fim de dia que 24 horas não chegam. Que a cozinha nunca mais fica pronta ainda que tenha tido uma mudança BRUTAL. Esta menina quer ser mulher. Luta com unhas e dentes contra tudo e todos. Contra o tempo, contra o cansaço, contra os impossíveis e contra as imprevisibilidades. Ela pinta, ela monta, ela aparafusa, ela varre, ela lava. Ela doa, ela arruma, ela chora e ela acalma-se. A nova fase da vida está à porta. Os grandes dias de caixas e caixote aproximam-se e o eu vai oficialmente passar a ser nós.
Existe ainda a Catarina criativa e costureira - que anseia pelo dia em que a máquina da costura vai voltar a ter o seu cantinho especial. Os tecidos voltam a esta arrumados por cores e temas. Que a inspiração vai voltar a ser convidada e que a porta vai estar aberta para a receber. Que os pedidos chegam com alegria, que não são sinónimo de ginástica, de movimento de ancas entre horas de almoço e horas de jantar. Que a máquina da costura vai poder costurar depois das 22h porque os vizinhos da casa nova nem a vão ouvir.
Para além de tudo isto existe a catarina filha que precisa de tempo e paciência para os seus amados pais. A catarina tia que adora mais do que muito o seu sobrinho e que está desejosa de lhe proporcionar felizes momentos junto da horta e das árvores de fruto. Existe a catarina amiga que tenta estar e ser e que por vezes está tão mergulhada no resto que tudo vai passando, ainda que cada vez menos! Existe a catarina yogini que tem pena de ter perdido o mês de calor para praticar esta maravilha que é o yoga porque nem sempre a gestão financeira permite investimentos simultâneos. E existe a catarina técnica de cardiopneumologia que trabalhas das 08h30 às 18h alguns dias e que atrapalha muito tudo o resto, mas é aquela que permite que muito do resto exista e se proporcione. Porque com contas pagas é mais fácil ser-se feliz.
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