Ousar ser feliz é ousar sentir o bom, mas também o menos bom. Sentir sem medo de perder, sentir dando tudo. Gosto da minha autenticidade, gosto de ser emotiva. Não gosto de ser excessivamente emotiva. Não gosto de não gostar.
São o meu projecto de vida - são os meus filhos e a minha família. Porque há muitas mães que tentam passar aos filhos a ideia de que somos super heroínas - se estou a chorar "foi porque me entrou uma coisa para o olho", se tenho uma discussão com o pai "não foi nada". Não. "Estou triste, porque me zanguei contigo, porque gosto de ti." Se eu for uma mãe perfeita, vou-lhes vender uma ideia de que o mundo é cor de rosa, quando eles forem lá para fora, para a vida, para o mundo, sem estarem no porto de abrigo deles, à primeira contrariedade eles vão pensar "o que é isto? a minha mãe mentiu-me".
Devia (haver maior intervenção da psicologia nas escolas, na educação de base) para os pais. Para que os pais não tivessem medo de educar.
Nem sempre é fácil, porque tomar consciência é preciso sentir e pensar nisso. E às vezes pensar nisso dói e eu nao quero sentir. Prefiro ter uma vidinha. Uma coisa morna.
Gosto de ouvir o mar. Gosto de fechar os olhos e ouvir o que as ondas me dizem. Gosto de estar sozinha sem me sentir só.
Eu acho que a vida é uma cómoda, com várias gavetas. Há umas que estão extraordinariamente bem arrumadas, outras bem arrumadas, outras se calhar nem por isso. Os fantasmas estão dentro dessa gaveta.
Tenho muitos sonhos que se resumem num - que é continuar a ser honesta comigo. Que não é fácil devo dizer-te. Não vendermos a alma não é fácil. Não é fácil ir para ali com toda a gente a ir para ali, não é fácil dizer Não.
Porque vamos crescendo, vamos amadurecendo e vamos tomando caminhos diferentes. Há uns que nos acompanham e há outros que nós queremos acompanhar, e depois há os outros com os quais nós vamos deixando de nos identificar e eles connosco. Ás vezes com alguma mágoa, mas tenho de ser honesta comigo, não é?
Eles (os meus filhos) dizem-me uma frase diariamente, que é perguntarem-me "Eu já te disse hoje o quanto te amo?"
É ser uma mulher (amada) que é respeitada nas suas opçoes, que o outro tem de conhecer as qualidades e os defeitos e quando faz o balanço merece ser amada. Para amar preciso de conhecer, e para conhecer preciso de tempo. Mas se eu amar eu quero crescer com o outro. Quero ralhar com o outro. Quero dizer "Faz mais coisas dessas que eu amo que tu faças isso." É "não faças isso que isso não é bom para ti, para mim, para nós." Que me ajude a crescer, que se orgulhe do meu percurso, das minhas escolhas, que as respeite, independentemente se concorda com elas ou não. Ou que pense "bom, isto vai dar asneira, vais bater com a cabeça na parede..." mas que me dê a liberdade de escolher.
A dignidade é um valor como outro qualquer. Ensina-se, fazendo-se, não dizendo.
Eu digo aquilo que sinto - Desculpa. Obrigada. Tive saudades tuas. Estás a ser um grande chato. Digo, digo tudo. Não digo tudo sem pensar, mas digo aquilo que sinto.
27.8.11
16.8.11
11 de Agosto
Tu parecias um louco. Acho que eras professor de faculdade. Os óculos não te passavam do "nó" do nariz e os cabelos não se encostavam uns aos outros. Estavam no ar. Reparei em ti porque te recusaste a sentar num mínimo espaço em que nem as tuas pernas cabiam, mesmo que ela insistisse contigo. Tinhas razão, nem eu que sou mais magra cabia lá. O desconforto era incompatível com o que se esperava daquele concerto. Vieram sentar-se mesmo à minha frente, impossibilitando-me o esticar das pernas (que não são pequenas). Mas não me importei. Achei desde logo que eram diferentes e especiais. Tu disseste-lhe "Não é nada assim." e ela respondeu-te "Eu acho que é quase quase assim." E essa discordância ficou por aí, não levou a zangas, nem ofensas nem menos alegria nem tão pouco menos amor.
Adorei ver-te a puxá-la para ti para a abraçares, adorei ver-te cantar para ela e cantarem juntos, como se estivessem sozinhos, ao luar, a declarar amor um ao outro sob a forma de canção.
Ela tinha ar de eterna romântica e paixão estampada em toda a expressão corporal. Dava-te mimos, festinhas, abraços, olhava para ti como se de uma criança se tratasse, com aceitação de quem vê pela primeira vez. De quem ama, sem condições.
Adorei que me mostrassem que o amor existe e pode e é demonstrado sempre que se queira, com 20 anos ou 50.
Obrigada pela lição. Amorosos.
Jorge Palma @ Casino Estoril
Adorei ver-te a puxá-la para ti para a abraçares, adorei ver-te cantar para ela e cantarem juntos, como se estivessem sozinhos, ao luar, a declarar amor um ao outro sob a forma de canção.
Ela tinha ar de eterna romântica e paixão estampada em toda a expressão corporal. Dava-te mimos, festinhas, abraços, olhava para ti como se de uma criança se tratasse, com aceitação de quem vê pela primeira vez. De quem ama, sem condições.
Adorei que me mostrassem que o amor existe e pode e é demonstrado sempre que se queira, com 20 anos ou 50.
Obrigada pela lição. Amorosos.
Jorge Palma @ Casino Estoril
10.8.11
6.8.11
3.8.11
Eram três casais. O que a partida tinham em comum? Eram apaixonados. Um dos casais era apaixonado pelo respectivo e pelo dinheiro, e os outros dois eram apaixonados por quem traziam com eles e pela vida e pela arte.
Encontraram-se num café bonito, novo mas velho, com um requinte simples de quem cuida. O primeiro casal a aparecer tinha pouco mais de 20 anos, ar descontraído de quem saiu da praia e olhar encantado(r). O segundo tinha uma mulher na casa dos 30 e um senhor de cabelos brancos. Chegaram num Smart conduzido por ela e entraram com atitude arrogante. Eram só bonitos por fora. O terceiro conseguiu intersectar os que lá estavam. Tinham os dois 60 e tal anos e aspecto de bons loucos.
A conversa entre os mais velhos e mais novos começou e tornou-se viciante. A cordialidade do "Importa-se que fume?", o sorriso inesgotável da rapariga, os olhos pintados da senhora e a alegria do arquitecto.
Por esta altura, os dois casais opostos (ou nem tanto) e o empregado empático e simpático formavam um triângulo. O cão entrou, cumprimentou-os e saiu. Que olhar meigo tinha. "Sempre houve um cão grande neste largo, sempre!"
O senhor António, o Benfica que o salvou da úlcera no estômago, a Manecas, eterna namorada, o empregado que deseja felicidades aos mais novos, o Gonçalo, a Catarina, no Colares Velho, onde vão com certeza voltar.
Encontraram-se num café bonito, novo mas velho, com um requinte simples de quem cuida. O primeiro casal a aparecer tinha pouco mais de 20 anos, ar descontraído de quem saiu da praia e olhar encantado(r). O segundo tinha uma mulher na casa dos 30 e um senhor de cabelos brancos. Chegaram num Smart conduzido por ela e entraram com atitude arrogante. Eram só bonitos por fora. O terceiro conseguiu intersectar os que lá estavam. Tinham os dois 60 e tal anos e aspecto de bons loucos.
A conversa entre os mais velhos e mais novos começou e tornou-se viciante. A cordialidade do "Importa-se que fume?", o sorriso inesgotável da rapariga, os olhos pintados da senhora e a alegria do arquitecto.
Por esta altura, os dois casais opostos (ou nem tanto) e o empregado empático e simpático formavam um triângulo. O cão entrou, cumprimentou-os e saiu. Que olhar meigo tinha. "Sempre houve um cão grande neste largo, sempre!"
O senhor António, o Benfica que o salvou da úlcera no estômago, a Manecas, eterna namorada, o empregado que deseja felicidades aos mais novos, o Gonçalo, a Catarina, no Colares Velho, onde vão com certeza voltar.
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