27.8.11

Carla Andrino disse hoje

Ousar ser feliz é ousar sentir o bom, mas também o menos bom. Sentir sem medo de perder, sentir dando tudo. Gosto da minha autenticidade, gosto de ser emotiva. Não gosto de ser excessivamente emotiva. Não gosto de não gostar.
São o meu projecto de vida - são os meus filhos e a minha família. Porque há muitas mães que tentam passar aos filhos a ideia de que somos super heroínas - se estou a chorar "foi porque me entrou uma coisa para o olho", se tenho uma discussão com o pai "não foi nada". Não. "Estou triste, porque me zanguei contigo, porque gosto de ti." Se eu for uma mãe perfeita, vou-lhes vender uma ideia de que o mundo é cor de rosa, quando eles forem lá para fora, para a vida, para o mundo, sem estarem no porto de abrigo deles, à primeira contrariedade eles vão pensar "o que é isto? a minha mãe mentiu-me".
Devia (haver maior intervenção da psicologia nas escolas, na educação de base) para os pais. Para que os pais não tivessem medo de educar.
Nem sempre é fácil, porque tomar consciência é preciso sentir e pensar nisso. E às vezes pensar nisso dói e eu nao quero sentir. Prefiro ter uma vidinha. Uma coisa morna.
Gosto de ouvir o mar. Gosto de fechar os olhos e ouvir o que as ondas me dizem. Gosto de estar sozinha sem me sentir só.
Eu acho que a vida é uma cómoda, com várias gavetas. Há umas que estão extraordinariamente bem arrumadas, outras bem arrumadas, outras se calhar nem por isso. Os fantasmas estão dentro dessa gaveta.
Tenho muitos sonhos que se resumem num - que é continuar a ser honesta comigo. Que não é fácil devo dizer-te. Não vendermos a alma não é fácil. Não é fácil ir para ali com toda a gente a ir para ali, não é fácil dizer Não.
Porque vamos crescendo, vamos amadurecendo e vamos tomando caminhos diferentes. Há uns que nos acompanham e há outros que nós queremos acompanhar, e depois há os outros com os quais nós vamos deixando de nos identificar e eles connosco. Ás vezes com alguma mágoa, mas tenho de ser honesta comigo, não é?
Eles (os meus filhos) dizem-me uma frase diariamente, que é perguntarem-me "Eu já te disse hoje o quanto te amo?"
É ser uma mulher (amada) que é respeitada nas suas opçoes, que o outro tem de conhecer as qualidades e os defeitos e quando faz o balanço merece ser amada. Para amar preciso de conhecer, e para conhecer preciso de tempo. Mas se eu amar eu quero crescer com o outro. Quero ralhar com o outro. Quero dizer "Faz mais coisas dessas que eu amo que tu faças isso." É "não faças isso que isso não é bom para ti, para mim, para nós." Que me ajude a crescer, que se orgulhe do meu percurso, das minhas escolhas, que as respeite, independentemente se concorda com elas ou não. Ou que pense "bom, isto vai dar asneira, vais bater com a cabeça na parede..." mas que me dê a liberdade de escolher.
A dignidade é um valor como outro qualquer. Ensina-se, fazendo-se, não dizendo.
Eu digo aquilo que sinto - Desculpa. Obrigada. Tive saudades tuas. Estás a ser um grande chato. Digo, digo tudo. Não digo tudo sem pensar, mas digo aquilo que sinto.

Sem comentários:

Enviar um comentário