13.8.13

SINTO AQUI #3 #4 #5

Praia Grande - Julho 2013

Igrejinha [tanque] - Agosto 2013

Igrejinha [melancia] - Agosto 2013


Uma semana que terminou e outra que começou assim. Com sol, com muito calor, com água, com animais, com campo, com silêncio, com tempo, com amigos, com paz, com sorrisos, com felicidade, com partilha, com amor, com aceitação, com respeito, com liberdade, com afectos.

Uma semana que esperemos que acabe com uma grande mudança. O grande passo aí quase quase a chegar. Agora sem pressas. Com respeito pelas demoras, pelo timing certo, pelas coisas estruturadas e bem feitas. O verão continua, não tarda acaba, e quando for para ser, será. E lareira no Inverno vai ser tão bom!


Semana #9


5.8.13

Shi

Semana # 8 - quando o Salvador está por perto todo o cuidado é pouco

Salvador

As expressões dele que me aquecem o peito:
- "oh tiaaaa" - quando lhe digo que tenho que sair.
- "minha tia princesa" - quando o abraço forte
- "o que tens mais para mim?" " beijinhos sempre! Boa?" "Acho boa ideia! E abracinho?"
- "dividir é divertido. e partilhar é divertido tia!"
- "oh shisukaaaa" - quando a vê e a admira
- " alerta ranhoooocaaa" - quando funga tanto só para me assustar, porque sabe que eu faço uma peça de teatro em volta da situação e acabamos todos a rir muito
- "99? tanto!" - quando o acabo de medir e constatamos que já tem 99 centrímetros
- "eu também te amo tia"
- " não faz mal tia" - quando sem querer o magoei e lhe pedi desculpa logo a seguir
- "não consigo! já experimentei mas não consigo" - quando a sanita ainda não é confortável e depois de lhe explicar que devemos sempre experimentar, não conseguiu fazer cócó na sanita

Que amor tão grande este. Que puro.
Não somos perfeitos. Somos humanos.
Depois de uma aula de yoga tão cheia de sincronismos, tão inspiradora e tão capaz de me deixar leve e resplandecente, fui a cantar o caminho todo, esperei com um sorriso natural cerca de 30 minutos por ele e seguimos para o nosso restaurante. Fechado.
Andar por Lisboa sem planos não dá bom resultado e a impaciência foi chegando, ainda que a cada minuto olhasse para o meu interior e me autorizasse a deixar-me levar. Encontrariamos um sítio mesmo à nossa medida, sem pressas, se nos deixássemos ir rua acima e rua abaixo. Passear na cidade, com o castelo a mirar-nos, com ele do meu lado só podia correr bem.
A fome chegou e dominou. A impaciência e o cansaço de uma semana muito pesado não nos deram tréguas. Não podíamos entrar naquele sítio porque não, porque já passavam das 22h, porque ainda não eram 24h, porque ali não tinha luz e tinha "má gente", porque não era de confiança, porque, porque, porque.
E o estar com ele, deixou de ser estar com ele para passar a ser andar ao lado dele. Porque a vontade evaporou-se com a chegada da ira. Porque às 23h30 fomos para casa sem jantar, sem estar e com o coração apertado.
Não havia lugar para o sorriso nem para a gratidão nem para os abraços nem para o amor.
 
Só me apetecia que o dia acabasse. No dia seguinte estaria tudo bem.
Senti-me frustrada por ver aquele drama a chegar e minuto após minuto tentar deitar à mão à minha mente, aos meus pensamentos, para que não nos levassem para aquela tristeza sem fundamento.
 
Surgiram as dúvidas. Os medos. A frustração.
 
Surgiu a certeza que há um grande caminho por percorrer. Que o autocontrolo ainda não existe em todas as situações. Que a consciência sim. Vi tudo a acontecer, não consegui travar.
 
Somos humanos. Não somos perfeitos. Deixamo-nos levar pelo cansaço muitas vezes. Não treinamos a tolerância. A compreensão, o respeito tanto quanto gostávamos. Fazemos por isso. Passo a passo. Quando a conversa calma e serena surge e tudo se esclarece, quando o amor é tão maior, quando o respeito é inquestionável e quando a humildade se expande percebemos que juntos somos muito melhores. Vamos crescer sempre, um com o outro. E um ao lado do outro.
 
E que ainda que a perfeição não exista, vamos sempre querer o melhor de nós.