16.5.14

Sentir, sentir, sentir

Começa a chegar a altura em que quero inspirar em vez de me deixar somente ser inspirada.
O que leio faz-me todo o sentido. Antes de chegar a casa, ouço a mente: "o que vais fazer? o que tens para fazer? Isto, aquilo, e o outro...qual primeiro? e dá tempo?" Shiiiiiu. Calma. Agora estou no caminho. Agora estou a contemplar esta serra. Agora estou a deixar o carro na oficina para que o cuidem de vez. Agora tenho que ir a pé para casa. Agora vou a pé e sinto o sol. Agora chego a casa e invento o que fazer na rua porque não me apetece deixar de sentir o sol. Agora vou regar. Agora olho para as folhas do feijão que têm marcas de dentadinhas de coelho. Agora rio-me. Agora molho os pés. Agora rego a ameixeira. Agora volto para cima e rego as flores da entrada. Agora entro em casa e cumprimento as gatas mais apaixonantes da vida. Agora mimo-as. Agora ponho alarme no telefone e conto meia hora para arrumar a cozinha. (Esta técnica é do melhor que há. Funciona mesmo. Saber que o tempo é contado e que quando o alarme tocar acabou-se as limpezas, ajuda-me e custa menos.)
Agora não faço nada do que a minha mente gritava. Agora aproximo as pequeninas e deixo-as conhecerem-se. Agora contemplo a brincadeira imensa em que se envolvem. Sento-me nos degraus da casa e fico a olhar. A observar. Somente isso. Observo. Rio-me muito, emano gratidão para estes seres que se adoram e mal se conhecem. Que ao contrário do que diziam, que a aproximação ia ser vagarosa, à experiência, que podia vir ciúmes, chatices, depressão, agressividade, bla bla, elas são um amor juntas.
Cada vez sou mais assim. Atenta ao que sinto. Não para racionalizar o que sinto, mas para ter consciência do sentimento. Para o sentir com toda a intensidade e depois deixar ir.
 
Cada vez sinto mais vontade de partilhar com outros a informação que me vai chegando, que vou procurando. Mostrar que é possível fazer diferente. Que para fazer diferente não precisamos de ser diferentes. Fazendo, somos por si só. Se eu digo sempre a verdade, eu sou honesta. Se eu rio muito, eu sou bem disposta. Se eu dou muitos beijinhos e abraços, eu sou afectuosa.
Um desvendar de verdades que sempre estiveram cá e que agora entro em sintonia com elas. Remembro-me como "ele diz".

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