é perigoso tentar um parto natural".
Perigoso e Pedro, aqui em casa, são duas palavras impossíveis de constar na mesma frase. Envolvendo qualquer um de vocês. Mas com sua mãe, veja bem, filha, mas com sua mãe elas não podem sequer habitar o mesmo parágrafo. Sua mãe é a razão disso tudo aqui, o nosso elo mais importante, o que permite a nossa existência nessa forma harmoniosa que você e seus irmãos conhecem. Sua mãe, em perigo, somos nós, em perigo ainda maior. Sem ela, não somos nada. As palavras do médico ecoavam na minha cabeça, no meu fígado, no meu estômago.
Perigoso e Pedro, aqui em casa, são duas palavras impossíveis de constar na mesma frase. Envolvendo qualquer um de vocês. Mas com sua mãe, veja bem, filha, mas com sua mãe elas não podem sequer habitar o mesmo parágrafo. Sua mãe é a razão disso tudo aqui, o nosso elo mais importante, o que permite a nossa existência nessa forma harmoniosa que você e seus irmãos conhecem. Sua mãe, em perigo, somos nós, em perigo ainda maior. Sem ela, não somos nada. As palavras do médico ecoavam na minha cabeça, no meu fígado, no meu estômago.
Se há um deus, filha, ele é uma mulher grávida.
O momento DELA
Descobri, depois desses meses, dias, horas, minutos tão especiais que, no fim das contas, o parto é um momento muito simples, rápido, maravilhoso.
É o menor limite possível entre a vida e a morte. Ali, no segundo que separou você da vida aqui fora, filha, todos os relógios pararam. De um lado, o risco de algo dar errado. A morte. O nosso eterno medo diante do inevitável. Do outro lado, a chance de dar certo. A vida. O nosso eterno medo diante do desconhecido. Só que entre o inevitável e o desconhecido estava a sua mãe. E ela quis que fosse assim.
E orquestrou a valsa intensa.
E orquestrou a valsa intensa.
Morreu a dor.
Nasceu o grito.
Morreu a lágrima.
Nasceu o sorriso.
Morreu o tempo.
Nasceu a pausa.
Pausa.
No segundo que a separava de nós, aqui fora, o momento DELA, da sua mãe. Nem eu, nem Betina, nem Celine, nem Mayra. Apenas a sua mãe, naquela sala, poderia fazer o que fez. E fez.
Pausa.
No segundo que a separava de nós, aqui fora, o momento DELA, da sua mãe. Nem eu, nem Betina, nem Celine, nem Mayra. Apenas a sua mãe, naquela sala, poderia fazer o que fez. E fez.
Nasceu você.
O seu nascimento, filha, é a morte da descrença, do medo, da inércia, do pessimismo. Você nasceu para a gente se despedir do controle. Parir é perder o controle. Perder o controle é viver em paz. Sua mãe nos deu você, você nos deu a paz. Obrigado, filha."
Um site LINDO. LINDO.
Para ler sempre. E sentir o imenso amor. Para partilhar com parturiantes. Para mostrar. Para contagiar com este optimismo e com esta imensa beleza.
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