27.6.10

como uma conversa de divã, disse-me que se tem sentido equilibrada e feliz. leve. tudo o que faz, fá-la sentir bem, consciente e pura. como se a sintonia estivesse a ser alcançada. o trabalho é muito e por vezes a pressão podia apoderar-se. mas não. tem-se saído bem. ás vezes respira e volta a respirar até conseguir abstrair-se do exterior. às vezes basta só fechar os olhos e ver aquele rosto. disse-me que acordou com os passarinhos e com o som do vento a bater nos pinheiros. estava a média-luz e sentia-se bem assim. depois de fazer aquela viagem que tanto admira, chegou a casa e começou a sentir inquietações. havia muito barulho, muitas falas ditas de forma agressiva e demasiadamente firmes. cada um dizia uma coisa e nada fazia sentido. começou a instalar-se um desiquilibrio, uma falha qualquer que ela não sabia explicar. mais tarde, as vozes calaram-se e a inquietação permanecia. era diferente. vinha de dentro. pensou em tornar-se egoísta mas sabia que assim não seria pura. pensou em ser indiferente mas assim não seria a menina dos afectos. também ponderou ser agressiva e bruta. não me disse porque não o foi. disse-me só que poucas pessoas a faziam sentir bem, e que havia momentos em que por não ser egoísta as deixava escapar.

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