1.6.11
Era uma vez,
uma menina que se adivinhava especial. Tinha cabelos lisos, olhos azuis e resposta na ponta da língua. Quando lhe diziam "Tens de comer cenouras para ficares com os olhos bonitos" ela respondia sempre e da mesma maneira "Não preciso. Já tenho!". E tinha razão.
Era quieta mas tinha garra. Não gostava de estar parada nem de importunar os outros, sempre gostou muito do seu espaço. Gostava de observar e desenvolveu uma óptima memória.
Cresceu e tornou-se mulher.
Pelo menos aos olhos dos outros, porque no fundo, ela continua a ver-se a mesma criança - ingénua, genuína, alegre e muito feliz.
Normalmente, no mundo dos crescidos as pessoas têm má cara e os movimentos que desenham no ar são sempre iguais e duma firmeza estranha. E ela não quer ser igual a elas.
Foi um dia feliz, criança.
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