Contou-me que foi o dia mais preenchido de sempre. Preenchido de silêncio quebrado pela música, pelos monólogos que sozinha fazia para não se sentir sozinha. Preenchido de horas à secretária a ler matéria para um dia debitar numa folha. É lá isto pedagógico.
A voz dele estava com um tom estranho. Nem parecia a voz dele.
Ele não percebeu. E ela também não.
Ela apenas queria fazer diálogo, pela primeira vez no dia. E nem isso.
No fim do dia, para não parecer que dia 4 de Fevereiro não existiu, ela pediu-me que deixasse aqui registado que foi, para ela, o dia mais preenchido de sempre.
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