28.5.10
não sou poeta, mas gostava de ser. por outro lado, tenho a ideia de que os poetas são seres sofredores. pelo menos, mesmo sem ser poeta, também me sinto mais inspirada quando estou em sofrimento. é um bocado parvo. quando estou feliz também me dá para escrever. mas são aquelas coisas escritas que só parece que foram gritadas a meio mundo. gritadas de felicidade. partilhas. continuando. poeta não sou. gostava de ser, não pelo sofrimento, mas pelas palavras escritas, ditas, sentidas que ficam. que sem se ser explícito, ou sendo-o, se dizem coisas que fazem sentido só para alguns. e às vezes dá-me vontade de dizer tudo o que tenho por dizer, através de códigos. para só x, ou y, ou eu, perceber. não acho que as coisas que são escritas se perdem, nem que as emoções sentidas diminuem por isso. acho só que o peito fica mais calmo e a cabeça mais livre. eu ando em definições. em redefinições talvez. ando a conhecer-me aos poucos. a descobrir quem sou, o que faço, e como faço, para quê. para já sei só que não sou poeta. acho que sim. que é isso que não sou.
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