Penso demais? Sinto demais. Sou essencialmente emocional e para mim é difícil fazer sentido se nada ou pouco estiver a sentir. Só estou porque me sinto bem. Só faço porque me sinto realizada, orgulhosa, contribuinte, útil.
Sou a sensibilidade palpável. E ainda que por vezes gostasse de me deixar ir mesmo sem sentir e sem pensar, gosto muito, muito mesmo de ser assim, como sou. Melhorando a cada dia, potenciando sempre o melhor de mim, conhecendo-me cada vez e trabalhando sempre mais o meu lado menos positivo, ajudá-lo a ser cada vez mais insignificante e não deixar que me defina, que se torne superior à minha vontade.
Aprendo a respirar, a serenar, a deixar fluir através de mim. A pôr o melhor de mim em cada coisa. E dia após dia é mais natural e prazeroso ser eu. Porque o meu eu é cada vez mais sorridente, pacífico, sereno, tranquilo, amistoso, atento.
Gosto de me pôr no lugar dos outros. Acho que é algo que pouca gente faz. É muito confortável ficar na nossa, a defender a nossa ideia, o nosso ponto de vista, o nosso ego. É desafiante deixar o ego de lado e mergulhar no outro ser. E eu fico tão orgulhosa cada vez que dou por mim a tratar o outro com mais tolerância e compaixão porque automaticamente me pus no seu lugar. Sem esforço, sem falsidade. Fui lá, vi, compreendi e agi.
Gosto de quando estou a fazer um exame a alguém sentir que a pessoa fica desconfortável por mostrar a barriga saliente. E por isso ter um cuidado extra em ser mais rápida para a expor menos ou ser mais cuidadosa com as ventosas para que a barriga não abane e o desconforto aumente.
Gosto de, no caminho para a praia, ver um casal de velhinhos com dificuldade em tirar a senhora do carro, dar uns passos para além daquela cena mas a cena não me sair da cabeça e sentir "tens de ajudar". E voltar para trás e perguntar se é preciso ajuda e a ajuda ser aceite sem entrave. Ajudar aquela senhora velhinha sair do carro e sentar-se no banco da praia a saborear aquele sol de forma mais pura e franca.
Gosto de depois disto dizer ao Salvador que cada vez que ajudamos alguém o nosso coração cresce. E sentir mesmo isto. Gosto de ajudar pelo simples facto de sentir o meu coração crescer.
Gosto de tirar muitas fotografias para deixar recordações a quem não se lembra da importância delas.
Gosto de olhar para fotografias de bebés e grávidas e sentir esta alegria que sinto.
Gosto de sentir que mais tarde ou mais cedo o meu caminho vai ser esse. Gosto de arriscar e gosto de estar alerta.
Às vezes custa-me esperar. Custa-me aceitar que o meu caminho para passar por aí, para chegar ao dia em que todos os dias da minha vida acordo com uma vontade gigante de viver o dia ao máximo, a cuidar de quem quero, da forma como quero, tem de passar pelo o hoje. Pelo caminho de agora. Pelas horas perdidas em frente ao computador à espera da agenda.
Às vezes custa imaginar a volta que a vida tem de dar para que esse dia chegue. E às vezes também vem o medo da incapacidade. E se não for para mim? E se não me calhar viver desta forma que tanto desejo?
Sinto bem cá dentro que é para mim. Que a vida é demasiado curta para não ser tão bem vivida. Não sei porque voltas vou passar, mas todos os dias sereno e sinto que está tudo certo. Quando for, será. E eu mantenho esta força que nem sei de onde vem para ser sempre o melhor de mim, provocar o melhor dos outros.
Preciso do voluntariado na minha vida. Preciso da criatividade. Preciso de espaço. De identidade. Preciso de começar o meu sonho de família. Preciso do yoga. Preciso desta paz que sinto agora para continuar sempre a acreditar que todos os dias são dias cheios de oportunidades. E tudo está tão bem. E tudo ficará tão bem.

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