"Ouve o que eu te digo,
Vou-te contar um segredo,
É muito lucrativo que o mundo tenha medo,
Vou-te contar um segredo,
É muito lucrativo que o mundo tenha medo,
Medo que seja tarde,
medo que seja cedo e medo de assustar-me se me apontares o dedo,
medo que seja cedo e medo de assustar-me se me apontares o dedo,
Medo do escuro, do novo e do desconhecido,
Eles têm medo de que não tenhamos medo."
Capicua
Comecei por ter medo. Medo de tudo isto e mais. Medo de não ser capaz. Medo de contrariar os outros. Medo de ficar sozinha. Medo de não ser amada. Medo de falhar. Medo de falar. Medo de agir e de seguir a minha intuição. Medo de sorrir. Medo de ser feliz, ainda que ambicionasse sempre por isso.
Comecei por lutar dia após dia contra o medo. Evitar que me dominasse. Aceitá-lo, enfrentá-lo e compreendê-lo. Quando o medo existe devemos mesmo é ir ao fundo da questão. Desmontar o puzzle e perceber a origem. Resolver. É tudo tão mais simples. Quando vamos a ver, o monstro papão que era gigante afinal é muito mais pequeno que nós. Basta pegar ao colo, mimar e acaba por se dissolver da mesma forma que surgiu.
Hoje em dia luto muito pouco contra o medo. Quando ele vem, uso essencialmente a intuição e a paz interior que tenho vindo a sentir cada vez mais e deixo que ele saia. Não há razões para ter medo.
De que vale?
É assustador dar grandes passos? É. É desafiante. Os desafios quando nos chegam é só porque já estamos preparados para eles. A vida é evolutiva. Os 80 e muitos anos que vivemos são ascendentes. (Ou deveriam ser. Grande confusão me faz o contrário.)
Sinto medo do passo gigante que vamos dar.
Sinto um medo pequenino, que se o alimentar, se lhe der voz e força, vai dominar-me, e a toda a gente. (Porque o medo é das coisas mais contagiosas que existe!)
Sinto medo que os nossos rendimentos não sejam suficientes para sustentar uma casa (de família :p). Sinto medo que a gasolina aumente e que se torna insustentável fazer 30km por dia (e as pessoas que fazem mais e ganham o mesmo?!).
Sinto medo que não seja capaz de limpar a casa, organizar a roupa, fazer almoço e jantar.
Sinto medo de me afastar dos meus pais.
E depois, em vez de arranjar problemas, inverto o pensamento e vejo as soluções:
Sei que o nosso amor é maior que tudo. Este é o passo mais acertado que podemos dar.
Somos mais do que responsáveis, sabemos bem as despesas que temos e por isso, com a nossa óptima gestão (que nos primeiros tempos vai ser trabalhada e aprimorada) ainda vamos conseguir poupar!
Somos criativos, já tenho até uma ideia para pôr em prática de forma a poupar dinheiro em gasolina. Eu e todos os que se queiram juntar a mim ;)
Sei que não quero ser escrava das limpezas nem dona de casa exemplar. Quero arrumação, limpeza mental essencialmente, portanto com treino e boa gestão e planeamento também acredito que chego lá.
Os meus pais estão sempre aqui. Almoços a meio da semana, jantares sempre que possível, muito sol e campo. E não tarda eles estão ao pé de mim outra vez.
Com calma e positividade :) Sou mesmo feliz!
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